O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, decidiu não participar do debate promovido pela TV Globo nesta quinta-feira (1º), o último confronto entre os presidenciáveis antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).

A decisão ocorre em meio a uma série de disputas judiciais envolvendo a organização do debate. Segundo informações divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a campanha de Flávio avalia que o candidato não deveria participar de um programa cujas regras estariam sendo definidas ou alteradas por decisões judiciais. A equipe classificou a interferência do Judiciário como uma forma de censura.

O debate também foi marcado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que optou por participar de uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário. Com a ausência do petista, a expectativa inicial era de que Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) participassem do encontro.

Decisão sobre púlpito de Lula

Na quinta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Globo não exibisse durante o debate o púlpito reservado a Lula vazio e identificado com o nome do candidato. A decisão foi tomada pela ministra Estela Aranha após o presidente comunicar que não participaria do programa. A medida também impediu que os candidatos presentes direcionassem perguntas ao petista durante o confronto.

A possibilidade de mostrar o espaço vazio havia sido considerada pela emissora diante da ausência de Lula. A decisão judicial alterou, portanto, a dinâmica prevista para o programa.

Disputa envolvendo Renan Santos

Outra questão que chegou à Justiça envolve o candidato Renan Santos, do Missão. O partido tentou garantir judicialmente a participação dele no debate, mas os pedidos apresentados ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) não haviam sido acolhidos nas decisões divulgadas ao longo desta quinta-feira.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, entendeu que a Globo não era obrigada a convidar Renan porque o Missão não atingia o critério de representação parlamentar previsto para participação obrigatória em debates. A ministra Cármen Lúcia, do STF, também negou um pedido relacionado à presença do candidato.

Com as decisões, o debate chegou à reta final, cercado por mudanças e disputas judiciais, além das ausências de Lula e, posteriormente, de Flávio Bolsonaro.

O encontro estava previsto para começar às 21h30, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. O primeiro turno das eleições ocorre neste domingo (4).