A urna eletrônica brasileira completa três décadas de utilização em 2026. Implantado pela primeira vez nas eleições de 1996, o sistema substituiu etapas manuais da votação e, ao longo dos anos, passou por mudanças tecnológicas e ganhou novos mecanismos de fiscalização e segurança.

Giuseppe Dutra Janino, um dos profissionais envolvidos na criação da urna eletrônica, acompanhou parte dessa evolução. Em entrevista ao SBT News, ele explicou que a informatização do processo eleitoral reduziu a participação humana em etapas que, no modelo manual, estavam sujeitas a erros, demora e possíveis irregularidades. Janino foi secretário de Tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atualmente atua como consultor na área de eleições digitais.

Entre as ferramentas utilizadas atualmente estão as assinaturas digitais e os chamados hashes. O hash é um código gerado a partir do conteúdo de um arquivo e funciona como uma espécie de identificação. Se o arquivo for modificado, o código também muda. As assinaturas digitais, por sua vez, permitem verificar a autenticidade dos programas utilizados no processo eleitoral.

A segurança também é colocada à prova antes de cada eleição. Desde 2009, o TSE realiza os Testes Públicos de Segurança, nos quais especialistas, peritos da Polícia Federal, pesquisadores, representantes de universidades, partidos políticos e outros participantes podem tentar encontrar vulnerabilidades nos sistemas da Justiça Eleitoral.

Durante os testes, os participantes têm acesso a informações técnicas, códigos-fonte e aos equipamentos disponibilizados para a atividade. Eles elaboram estratégias para tentar superar as barreiras de proteção. As ações são acompanhadas por técnicos da Justiça Eleitoral e, caso alguma vulnerabilidade seja encontrada, o problema é analisado e corrigido. Depois, novos testes são realizados para verificar a eficácia da correção.

A fiscalização dos sistemas começa ainda antes dos testes. Aproximadamente um ano antes da eleição, os programas que serão utilizados no pleito são disponibilizados para análise de mais de 15 instituições. Partidos políticos, universidades, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União (TCU) estão entre os órgãos e entidades que podem participar da verificação.

Nessa etapa, os programas podem ser examinados detalhadamente. Depois das análises, ocorre a lacração dos sistemas, procedimento que estabelece uma versão oficial dos softwares que serão utilizados na eleição. Cópias dos programas ficam armazenadas no TSE e também são encaminhadas aos Tribunais Regionais Eleitorais.

A checagem continua no dia da votação. Antes de iniciar o funcionamento, a urna verifica as assinaturas digitais dos programas instalados. Se houver alguma divergência em relação às versões autorizadas, o equipamento não permite o início da votação.

Para Janino, a evolução ocorrida nos 30 anos não envolve apenas o equipamento utilizado pelos eleitores. Os programas, os mecanismos de proteção e as formas de fiscalização também foram aperfeiçoados ao longo das eleições. Segundo ele, não há registro de caso comprovado de fraude na urna eletrônica brasileira, enquanto o processo passou a contar com diferentes mecanismos de auditoria e verificação.

 

*  Com informações do SBT News