Política
PF apura se Flávio Bolsonaro fugiu para a Argentina
Até o momento, o senador não foi encontrado pela imprensa para prestar esclarecimentos
Horas após receber a determinação de entregar o passaporte, o senador, Flávio Bolsonaro (PL), é investigado suspeito de ter deixado o Brasil e entrado na Argentina, por onde acessaria os Estados Unidos na madrugada desta terça-feira (27).
A informação inicial é do portal argentino Infobae e SBT News, e apenas dois articuladores próximos do ex-candidato estariam cientes dessa movimentação. Mesmo com a determinação para entrega do passaporte, expedida pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, o documento não foi entregue, apesar da defesa do senador ter declarado que cumpriria a ordem dentro de 24 horas.
Flávio teria usado seu documento de identidade nacional e seguido para os Estados Unidos De Puerto Iguazú, a bordo de uma aeronave Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly SA. Segundo informações obtidas pelo Infobae, a empresa solicitou liberação alfandegária e de imigração para quatro passageiros e três tripulantes.A aeronave está registrada na Argentina desde 25 de setembro de 2020, em nome da respectiva empresa. Anteriormente, utilizou registros dos Estados Unidos e do México, incluindo N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA.
No entanto, o porta-voz do presidente Javier Milei, Fabián Fernández, negou, em declaração à Bloomberg, que Flávio Bolsonaro tenha entrado na Argentina e que houve decolagem para os Estados Unidos da aeronave descrita.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não foi encontrado pela imprensa para prestar esclarecimentos.
Ordem do STF
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que agentes da Polícia Federal o abordaram quando ele saía da casa de seu pai em Brasília para informá-lo sobre uma decisão atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
“Eles me ordenaram ali mesmo na rua que entregasse meus passaportes, e também estou proibido de sair do país”, disse o senador em um vídeo publicado nas redes sociais.
Bolsonaro afirmou que a decisão foi tomada na noite de domingo, após sua derrota para o presidente Lula e afirmou que a suspeita seria porque seu irmão, Eduardo Bolsonaro, teria tido uma declaração para que ele saísse do país, mas alegou que nunca teve a intenção
A restrição estaria ligada a investigação de que o senador é suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro relacionada ao financiamento do filme biográfico sobre seu pai, intitulado Dark Horse. Além desse caso, uma segunda investigação está em andamento no Supremo Tribunal Federal por suposta lavagem de dinheiro, envolvendo Willer Tomaz, advogado e amigo próximo do senador, conforme revelado pelos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo na véspera do segundo turno das eleições. Bolsonaro nega qualquer irregularidade em ambos os casos.
Lula da Silva venceu a eleição de domingo com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Bolsonaro, e o adversário se recusou a reconhecer a derrota e anunciou que pediria a anulação da eleição, argumentando que a extensão do horário de votação no domingo favoreceu o candidato do partido governista. Apesar desse desafio, o senador afirmou que lideraria a resistência política contra o novo governo.