Saúde
Estudo mostra que mesmo após contaminados, humanos não criam resistência à covid-19
O estudo combate a ideia do "passaporte de imunidade"
Um estudo divulgado pelo The New York Times mostra que o sistema imunológico do corpo humano não é capaz de criar resistência contra o SARS-CoV-2, vírus causador da doença covid-19, ou novo coronavaírus.
Normalmente, quando o corpo humano se recupera de alguma doença, o sistema imunológico "registra" o agente causador para que, no futuro, os anticorpos possam combatê-lo com maior facilidade.
"Esses dados indicam os riscos do uso de "passaportes de imunidade" da covid-19 e a necessidade de apoiar o prolongamento de intervenções em saúde pública, incluindo distanciamento social, higiene, isolamento de grupos de alto risco e testes em massa", escreveram os pesquisadores responsáveis pelo estudo, que foi publicado na revista Nature Medicine nesta quinta-feira (18).
Em uma entrevista para a Revista Saúde Abril, o pesquisador Daniel Dourado, do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (Cepedisa/USP), alerta que pesquisas identificaram que o corpo cria uma reação, mas não há evidências de que esta reação elimina o vírus em uma segunda tentativa de invasão.
Apesar de isto corroborar com a pesquisa publicada pela Nature Medicine, vale destacar que os pesquisadores analisaram apenas 74 pacientes, número consideravelmente baixo. Portanto, para que os resultados tenham maior significância estatística, será preciso fazer uma pesquisa mais ampla.
O que é "passaporte de imunidade"
A lógica do "passaporte de imunidade" funciona da seguinte maneira: os indivíduos que já foram infectados pelo vírus SARS-CoV-2 e se recuperaram, estariam livres para trabalhar e circular pelas ruas novamente.
No entanto, essa estratégia se baseia na ideia de que, se você pegou a doença uma vez, está automaticamente imune, algo que o estudo mostra que talvez não seja uma verdade.