O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga possível desabastecimento de medicamentos e insumos, além da paralisação de atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas no Hospital Santa Casa de Campo Grande. O Inquérito Civil 06.2025.00000258-1 está em andamento na 32.ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública, sob supervisão da promotora Daniella Costa da Silva.

Segundo as denúncias recebidas pelo MPMS, o hospital enfrenta diversos problemas, incluindo atrasos no pagamento de profissionais e fornecedores, suspensão de serviços médicos como ortopedia, cirurgia plástica, vascular e urologia, uso de materiais não padronizados e falhas no serviço de neurocirurgia, afetando o atendimento aos pacientes.

Diante da gravidade dos relatos, a promotoria destaca a importância de uma apuração detalhada das causas desses problemas e a adoção de medidas corretivas. O MPMS enfatiza a necessidade de um acompanhamento contínuo da situação para garantir a qualidade dos serviços prestados à população e fortalecer a transparência das ações públicas.

A promotora solicitou informações às Secretarias Estadual e Municipal de Saúde e agendou uma reunião para o dia 6 de março, às 14h, no auditório do Ministério Público Estadual, para discutir as ações adotadas pelas autoridades para resolver a situação e evitar a desassistência aos pacientes.

Outro Lado - A Santa Casa de Campo Grande, por meio de sua Diretoria Técnica, esclareceu "A Santa Casa de Campo Grande, por meio de sua Diretoria Técnica, vem a público esclarecer acerca de questionamentos sobre desabastecimento de medicamentos e insumos:
Em relação às alegações de falta de transparência, informamos que todos os documentos financeiros da instituição, incluindo dívidas com fornecedores, colaboradores e prestadores de serviços, foram encaminhados ao Ministério Público para apreciação.
Quanto ao desabastecimento de medicamentos e insumos, estamos envidando esforços contínuos junto à Prefeitura para equacionar nosso contrato, e as discussões seguem em andamento. Todas as metas foram estabelecidas, restando apenas a negociação dos valores contratuais, que está sendo conduzida junto ao gestor pleno, o município de Campo Grande, bem como ao Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Saúde.
Internamente, estamos reorganizando as finanças e priorizando o uso das verbas recebidas para pagamentos de fornecedores e prestadores de serviços. Desta forma, buscamos manter a prestação dos serviços com o mínimo de razoabilidade e garantir o abastecimento de materiais e insumos essenciais à segurança dos pacientes.
Algumas equipes de atendimentos ambulatoriais eletivos aguardam a regularização dos pagamentos para retomar suas atividades. Estamos em constante diálogo com essas equipes para viabilizar um acordo e, assim, restabelecer o atendimento à população. No entanto, nem todas as negociações têm sido bem-sucedidas, pois algumas equipes exigem o pagamento integral das dívidas, recusando-se a aceitar propostas de acordo.
Continuamos abertos às negociações e solicitamos a compreensão de todas as partes envolvidas sobre a gravidade da situação da Santa Casa. Este cenário é resultado de um contrato deficitário que não suporta mais o volume de serviços prestados, especialmente considerando o aumento significativo dos custos operacionais e de mão de obra nos últimos anos."

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