Ministério da Saúde
DENASUS flagra irregularidades em Campo Grande e quer devolução de R$ 71,1 milhões
Relatório identificou movimentações orçamentárias irregulares, problemas em contratos e ausência de processos administrativos para fundamentar despesas
Uma auditoria realizada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), do Ministério da Saúde, nas contas da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (SMSCG/MS), identificou graves irregularidades na gestão orçamentária, financeira e contratual das verbas públicas da saúde.
O relatório final concluiu pela necessidade de devolução de R$ 71.161.321,01 ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) em recursos de origem federal, além de apontar falhas que somam R$ 7,3 milhões na aplicação de repasses do Governo do Estado.
Origem das Investigações e Escopo da Auditoria
A fiscalização teve início a partir de uma demanda enviada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apontou indícios de execução irregular em R$ 156.830.401,28 lançados como Despesas de Exercícios Anteriores (DEAs) relativas à folha de pagamento de pessoal dos anos de 2022 e 2023. O escopo do trabalho do DENASUS abrangeu a execução orçamentária e financeira do Fundo Municipal de Saúde (FMS) entre os exercícios de 2023 e 2025.
Detalhamento das Proposições de Devolução ao Erário Federal
A quantia de R$ 71.161.321,01 com proposição formal de devolução ao FNS é decorrente da anulação sistemática de dotações orçamentárias de fontes vinculadas do SUS para suplementar a fonte de recursos próprios do município, além de desconformidades na execução contratual:
- Bloco de Custeio — Média e Alta Complexidade (MAC): Proposição de devolução de R$ 29.717.588,37 devido ao remanejamento irregular de verbas federais vinculadas para dotações da fonte própria municipal.
- Bloco de Estruturação da Rede de Serviços (Investimento): Proposição de devolução de R$ 28.456.989,30 motivada pela anulação de saldos orçamentários federais de investimento para reforço de recursos próprios.
- Bloco de Custeio — Atenção Primária à Saúde (APS): Proposição de devolução de R$ 10.654.938,45 por transferência indevida de créditos vinculados da Atenção Básica.
- Contrato nº 627/2020 (Gases Medicinais): Exigência de devolução de R$ 2.331.804,89, sendo R$ 2.070.821,20 por faturamento de itens, unidades de medida e critérios de medição (como "equivalência") sem previsão contratual, e R$ 260.983,69 por pagamentos executados sem cobertura contratual e acima do limite legal de aditamento.
Falhas na Aplicação de Verbas do Governo Estadual
A equipe de auditoria também identificou inconformidades no montante total de R$ 7.344.335,28 em recursos do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundo Especial de Saúde - FES / Recursos FIS), divididos entre R$ 4.530.752,91 em realocações orçamentárias irregulares e R$ 2.813.582,37 em pagamentos indevidos no contrato de gases medicinais.
No âmbito desta auditoria federal, não foram formuladas proposições diretas de devolução para os valores de origem estadual, determinando-se que a apuração e o ressarcimento desses montantes sejam conduzidos pelos órgãos de controle competentes.
Incomprovabilidade de DEAs e Inexistência de Processos
Em relação às despesas com folha de pessoal dos exercícios de 2022 e 2023 lançadas em 2024 como DEA, a auditoria manteve a constatação de não conformidade. Os auditores apontaram que a prefeitura apresentou apenas extratos com saídas globais de recursos, sem comprovação individualizada dos pagamentos ou correlação com os servidores ativos da saúde.
Além disso, a própria gestão municipal confirmou formalmente ao DENASUS que não foram constituídos processos administrativos para formalizar, instruir e fundamentar as despesas reconhecidas como DEA.
Veja o documento:
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