A delegada Anne Karine, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), deu detalhes à imprensa nesta sexta-feira (14) sobre o sequestro de uma bebê de 26 dias, ocorrido no dia 6 deste mês, em Campo Grande. A criança foi encontrada e está aos cuidados da mãe, uma adolescente de 17 anos, e da família.

Segundo a delegada, a sequestradora ganhou a confiança da mãe da bebê por meio de roupas, fraldas, doações e visitas à residência. A investigação aponta que ela procurou outras gestantes que dariam à luz na mesma época, mas queria uma menina, mostrando uma escolha planejada da vítima.

Jornalistas questionaram a delegada sobre a possibilidade de o sequestro estar relacionado a uma rede criminosa que atuaria com tráfico internacional de crianças. Anne Karine negou essa hipótese. 

Segundo a delegada, a sequestradora foi autuada junto com o marido. Ela continua sustentando uma versão relacionada a uma suposta dívida de drogas, apesar de admitir que pegou a criança.

“Eles colocam em partes, ela [sequestradora] em si, ela continua arquitetando as mentiras dela, ela não confessa, ela fala que pegou a criança, mas continua argumentando que foi em relação à droga”, afirmou Anne Karine.

A delegada detalhou que a história de que os envolvidos seriam de uma facção foi criada pela sequestradora para tentar despistar a Polícia. “Ela fala que pegou a criança, mas continua argumentando que foi em relação à droga porque foi a história que ela criou na cabeça para as adolescentes chegarem aqui de uma forma de tentar o máximo despistar a polícia. Então, assim, que seriam faccionados, que não era para procurar a polícia porque senão elas seriam mortas”, explicou.

A dinâmica dos fatos confirmada pela delegada bate com os principais relatos apresentados pela mãe da bebê e por familiares à imprensa após o desaparecimento da criança. Desde o início, eles sustentavam que a adolescente havia sido atraída pela sequestradora e negavam que o caso tivesse relação com uma suposta dívida com facção ou que a mãe tivesse vendido a própria filha.

A delegada explicou que a sequestradora havia cadastrado um aplicativo de transporte no dia anterior ao crime e o utilizou para buscar as duas adolescentes e a bebê. “Ela chamou um motorista de aplicativo, um aplicativo que ela tinha feito no dia anterior ao sequestro. Ela planejou certinho para tentar não ser identificada. Ela chamou o motorista de aplicativo, pegou essas meninas, que pegou as duas adolescentes e a criança e levou para o cativeiro. Lá, ela teve a ajuda do outro autor que foi autuado”, detalhou.

Sobre o que fez a mãe da bebê, de 17 anos, aceitar a proposta da sequestradora, a delegada explicou que houve a promessa de pagamento para que ela cuidasse de uma suposta criança. “Foi a promessa de receber 100 reais para cuidar de uma suposta criança”, disse.

Para a delegada, a sequestradora foi manipulando a adolescente e ganhou sua confiança por meio de doações. “Ela ganhou essa confiança porque ela foi manipulando a adolescente. Ela foi fazendo doações. É muito comum esses grupos de WhatsApp em bairros que fazem doações de roupas, de alimentos para as crianças, fraldas. Então, ela foi ganhando a confiança dessa adolescente”, afirmou.

Ao todo, três pessoas foram presas ou autuadas pelo caso, conforme o relato apresentado na coletiva, a sequestradora, presa no Paraguai junto com a bebê; o marido dela, também autuado por sequestro, que tinha mandado por homicídio e usava documento falso; e o homem que cedeu a casa utilizada como cativeiro, preso em flagrante e apontado pela Polícia como participante da ação.

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