O economista Renato Gomes (DC), apresenta em seu plano de governo propostas voltadas à infraestrutura, desenvolvimento do interior, saneamento e habitação. Entre as medidas estão a pavimentação de rodovias estaduais com prioridade para rotas de escoamento da produção e acesso à saúde, substituição de pontes de madeira, ampliação da rede de esgoto e um programa habitacional com previsão de atender entre 30 mil e 35 mil famílias durante quatro anos.

Infraestrutura e estradas

Na infraestrutura, Renato Gomes propõe estabelecer critérios para definir quais rodovias estaduais receberão pavimentação e manutenção primeiro. A intenção é priorizar estradas importantes para o escoamento da produção e aquelas que dão acesso a serviços de saúde.

O plano aponta que, das 146 rodovias estaduais analisadas, apenas 20 seriam totalmente pavimentadas, enquanto 39 ainda estariam em leito natural. A proposta prevê começar justamente pelos trechos de terra que fazem a ligação entre municípios, com atenção a regiões como Corumbá e Pantanal, Porto Murtinho, Caracol, Bela Vista e Paranhos. O documento estabelece como meta garantir acesso pavimentado ao perímetro urbano até 2030.

Outra proposta é o programa chamado “Fim das pontes de madeira”. O plano cita a existência de 697 pontes desse tipo na malha estadual e prevê a substituição gradual por estruturas de concreto. A prioridade também seria dada às rotas utilizadas para escoar a produção e chegar aos serviços de saúde.

O candidato também propõe definir uma nova fonte de recursos para conservação das rodovias diante das mudanças previstas com a Reforma Tributária. Segundo o plano, a ideia é criar um substituto para os recursos hoje provenientes do Fundersul e vincular parte dessa nova fonte diretamente à manutenção viária.

Desenvolvimento no interior

Outro eixo apresentado pelo economista é a interiorização do desenvolvimento. O diagnóstico do plano é de que parte dos municípios responsáveis pela geração de riqueza não consegue transformar esse desempenho econômico na mesma proporção em qualidade de vida para seus moradores.

A proposta é estimular atividades capazes de agregar valor à produção dentro das próprias regiões onde a riqueza é gerada. O documento cita que cinco municípios concentram 48% do PIB estadual e aponta diferenças econômicas significativas entre regiões de Mato Grosso do Sul.

O plano também estabelece uma meta de elevar o investimento público total no Estado ao equivalente a 30% do orçamento ao fim do mandato. O cálculo proposto pelo candidato considera investimentos diretos, recursos de um banco público de desenvolvimento que pretende criar e linhas de crédito de instituições como BID, BNDES e Novo PAC.

Saneamento

No saneamento, Renato Gomes propõe estabelecer metas específicas para a ampliação do esgotamento sanitário em cada município atendido pela Sanesul. A proposta parte do diagnóstico de que ainda existem localidades do interior com déficit no serviço, apesar dos investimentos e das metas de universalização anunciadas no Estado.

A intenção é acompanhar o percentual de domicílios atendidos com esgoto tratado município por município, priorizando áreas ainda descobertas. O plano resume a proposta com a ideia de que “esgoto não é luxo, é saúde”.

Moradia 

Na habitação, o plano estabelece a meta de atender aproximadamente 30 mil a 35 mil famílias em quatro anos. Em vez de concentrar os recursos apenas na construção de casas novas, o economista propõe combinar diferentes políticas, como regularização fundiária, autoconstrução assistida, subsídios para programas habitacionais federais e urbanização de comunidades precárias.

O documento considera um déficit de aproximadamente 72 mil moradias em Mato Grosso do Sul e prevê aporte estadual estimado entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão durante o mandato, com parte dos investimentos sendo complementada por recursos federais.

Uma das propostas é ampliar a regularização fundiária em parceria com os 79 municípios. A meta é entregar dezenas de milhares de títulos de propriedade por meio da Reurb-S, permitindo que famílias que já ocupam os imóveis consigam formalizar a propriedade.

Terreno e ajuda para construir

Para o interior, o candidato propõe ainda o “Terreno do Cidadão”, baseado na autoconstrução assistida. Pelo modelo descrito no plano, os municípios forneceriam terrenos com infraestrutura, enquanto o Estado faria um aporte de aproximadamente R$ 20 mil por família para itens iniciais da construção. A estimativa é alcançar 15 mil famílias em quatro anos.

Outra medida seria manter e ampliar o Bônus Moradia, complementando os recursos do Minha Casa, Minha Vida, principalmente para famílias de baixa renda. O plano prevê subsídios estaduais entre R$ 25 mil e R$ 32 mil por família, somados aos benefícios federais e recursos do FGTS.

O candidato também propõe buscar recursos do Novo PAC para urbanizar comunidades precárias, incluindo obras de infraestrutura, equipamentos públicos e regularização dos imóveis. O documento cita como prioridades áreas maiores, como Homex, em Campo Grande, e Santa Felicidade, em Dourados.

Por fim, o plano prevê maior controle sobre o Fundo Estadual de Habitação de Interesse Social (FEHIS), com auditoria, transparência e vinculação dos recursos a metas habitacionais. A proposta estabelece que o dinheiro do fundo seja destinado exclusivamente às políticas de habitação.