A Justiça determinou uma mudança no comando administrativo da Santa Casa de Campo Grande em meio à crise provocada pelas investigações da Operação Antidotum. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, nomeou o médico Luiz Alberto Kanamura como gestor provisório do hospital.

Kanamura ficará responsável pela administração da instituição pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. A decisão foi tomada um dia após o vice-presidente Heitor Rodrigues Freire assumir o comando da Santa Casa no lugar de Alir Terra, que foi presa durante a Operação Antidotum.

Segundo a decisão judicial, a medida considera a existência de uma crise administrativa e financeira que, conforme apontado pelo magistrado, pode colocar em risco a continuidade dos serviços prestados pelo hospital.

Médico da Santa Casa há vários anos, Kanamura já ocupou cargos de direção em diferentes áreas da instituição. Na quarta-feira (23), ele havia assumido a função de superintendente técnico hospitalar.

Agora, além da função técnica, ele passa a responder pela gestão da Santa Casa. Durante o período de intervenção, deverá encaminhar relatórios mensais ao Judiciário, informando a situação operacional da instituição e as medidas adotadas para a reorganização administrativa.

A decisão ocorre em meio às investigações conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), que apura suspeitas de fraudes e desvios de recursos em contratos da Santa Casa de Campo Grande.

Operação investiga contratos e supostos desvios

A Operação Antidotum foi deflagrada com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

A investigação aponta suspeitas de irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos. Conforme o Gecoc, foram identificados pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços contratados.

O contrato previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo as investigações, somente no primeiro ano de vigência, o suposto desvio teria chegado a R$ 1,4 milhão.

O Gecoc também identificou suspeitas de irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

De acordo com a investigação, as empresas tinham como proprietário uma pessoa com ligações com a diretoria da Santa Casa. Os estabelecimentos estavam registrados no mesmo endereço, que, segundo o Gecoc, encontrava-se desocupado.

Ainda conforme a apuração, somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria realizado pagamentos de aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas. O prejuízo estimado até o momento é de pelo menos R$ 3,5 milhões, segundo os investigadores.

O Gecoc também afirma que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente omitidos dos órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

A operação teve apoio operacional do Batalhão de Choque e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.

O nome da operação, Antidotum, vem do latim e significa antídoto, em referência a uma substância ou contramedida capaz de neutralizar a ação nociva de uma toxina.

Santa Casa diz que não houve troca de direção

Procurada pelo JD1 Notícias na tarde desta quinta-feira (24), a assessoria de comunicação da Santa Casa de Campo Grande afirmou que não houve uma troca de direção na instituição.

“Não teve troca de direção. Teve ontem a posse do superintendente Dr. Luiz Alberto Kanamura. Ele quem comanda agora a Santa Casa”, informou a assessoria.