Abalada, chorosa, com um olhar distante e segurando uma fralda e um body florido que era de Maria Izabel, de 2 meses. O retrato descrito é da mãe Luciane Alves Feijó, de 40 anos, que tenta arranjar forças para conseguir dar um sepultamento digno para sua filha, vítima de um acidente de trânsito em Campo Grande.

Ela esteve, na manhã desta quinta-feira (27), na Delegacia de Polícia Civil para registrar a ocorrência de morte da bebê, que foi declarada oficialmente durante a madrugada de hoje. Antes, a família já havia sido informada da morte encefálica da vítima e seu quadro era praticamente irreversível.

Em conversa com a nossa reportagem, mesmo em poucas condições de falar diante do caso, Luciane foi sucinta e direta ao dizer que pede justiça pela morte de Maria Izabel. "Eu só quero que ele pague pelo que ele fez, porque ele estava correndo e ainda embriagado, tinha a vida de alguém que tava começando".

A fala recai no motorista do Chevrolet Corsa, que na noite do dia 21 de julho, em alta velocidade, rampou sobre um quebra-mola e atingiu traseira do veículo Chevrolet Prisma que tinha a própria Luciane, Maria Izabel e seus dois irmãos, além do pai que conduzia o veículo. O carro da família capotou no cruzamento da avenida José Barbosa Rodrigues com Edmir Padial Júnior, no Ana Maria do Couto.

O motorista do Corsa, causador do acidente, estava com sinais visíveis de embriaguez quando foi socorrido pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

"Eu espero que ele não saia mais, não beba mais, não dirija mais e as pessoas também coloquem que isso não é legal, que a vida não é assim. Tem família sendo destruídas por isso", acrescentou Luciane. Ela cita que o condutor não procurou a família para conversar, nem dos familiares.

"Em nenhum momento, no dia do acidente, eu não vi momento nenhum um arrependimento dele, dos familiares dele. Essa sensação que eu tive até agora é que não teve arrependimento nenhum deles, por isso a gente busca justiça. Ele estava alcoolizado, foi comprovado no teste do bafômetro, ele estava correndo demais e quis sair do local, tentou fugir, mas a população segurou. Agora ele tem que ser punido pelo que ele fez".

No dia do acidente, Luciane havia saído do trabalho e foi buscar Maria Izabel na casa da avó, onde ela ficava com uma babá e pegou a filha para amamentar. "Que ela [bebê] é assim, quando a gente chega ela queria mamar peito, só peito, aí eu fui com ela no colo porque ela estava mamando", frisou. "Eu só queria acalmar ela", disse, lembrando que sabia do possível perigo, mas pensou no bem-estar da filha.

A família foi orientada a procurar a 7° Delegacia de Polícia Civil, na região do Jardim Panamá, área de atuação de onde ocorreu o acidente, para registrar o caso e dar início a investigação. A liberação do corpo também aconteceria hoje para que ela pudesse dar seguimento ao velório e sepultamento.

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