Recomendação
Seis ambulâncias do Samu estão sem uso, e MP ameaça levar prefeitura à Justiça
Município está operando com viaturas alugadas; promotores devem tomar medidas mais enérgicas contra a gestão municipal
Seis ambulâncias doadas pelo Governo Federal em abril ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) de Campo Grande ainda não estão em operação. Apesar de já estarem emplacadas e asseguradas, os veículos permanecem parados no pátio da Secretaria Municipal de Saúde, aguardando a definição de recursos humanos para composição das equipes de suporte básico.
Enquanto isso, o Samu continua utilizando ambulâncias alugadas, gerando custos adicionais ao município. Diante da situação, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) emitiram uma recomendação conjunta à prefeitura de Campo Grande, exigindo que, em até dez dias úteis, seja apresentado um plano de ação com cronograma detalhado para ativação e uso imediato das ambulâncias. A representação ao MP é de autoria do deputado federal por MS, Geraldo Resende (PSDB).
O Termo de Doação nº 561/2024, firmado entre a União e a Prefeitura, estabelece que os veículos devem ser usados exclusivamente para ampliar a frota do Samu, não podendo ser destinados a outros fins. Em caso de descumprimento, as ambulâncias podem ser recolhidas pela União e realocadas em outro serviço, sem direito a indenização à administração municipal.
Segundo a recomendação, a paralisação dos veículos compromete o direito constitucional à saúde e o atendimento emergencial da população, uma vez que o Samu é a porta de entrada pré-hospitalar móvel do sistema de urgência, sendo o único serviço capaz de oferecer atendimento imediato no local da ocorrência. O documento destaca ainda que o uso efetivo das ambulâncias é fundamental para reduzir índices de morbidade e mortalidade e garantir o atendimento universal e integral, conforme previsto na Política Nacional de Atenção às Urgências.
O Promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz, da 76ª Promotoria de Justiça, reforça a gravidade da situação: “Estamos falando de equipamentos destinados a salvar vidas. Não é aceitável que ambulâncias novas fiquem paradas enquanto a população depende de veículos alugados. O Ministério Público cumpre sua missão constitucional de garantir que políticas públicas funcionem de forma efetiva e que o direito à saúde seja respeitado em sua plenitude.”
A recomendação é assinada pelo Procurador da República Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves e pelo Promotor de Justiça do MPMS. O documento alerta que, caso não sejam adotadas as medidas necessárias, poderão ser tomadas todas as providências administrativas e judiciais cabíveis contra os responsáveis pela omissão.
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