Às vésperas do Dia dos Namorados, Odete e Agnaldo têm uma história que dispensa declarações grandiosas para falar de amor. O que começou ainda na juventude, na zona rural de Camapuã, se transformou em quase sete décadas de convivência, marcada por trabalho, mudanças e decisões tomadas a dois.

Ela tinha 16 anos e ele 20. Foi no interior do município que os dois se conheceram, em meio à rotina das fazendas onde famílias trabalhavam e conviviam no campo. A aproximação veio naturalmente, ainda na adolescência, e logo deu início ao namoro.

O casamento foi realizado em 1957. A partir dali, começaram a vida juntos. “Conheci ele lá em Camapuã. A gente começou a namorar e casou. Era tudo muito simples naquele tempo”, relembra Odete.

No ano seguinte ao casamento nasceu o primeiro filho. Depois vieram mais dois, além deles, o casal criou também um sobrinho desde os dois meses de idade, acolhido como filho do coração.

Hoje, a família soma quatro filhos, cinco netos — quatro netas e um neto — e cinco bisnetos. Com quase sete décadas de convivência, Odete resume a relação sem romantização.

“Não existe segredo. Existe convivência. Quando um está nervoso, o outro precisa ter calma. Às vezes é melhor ficar quieto e esperar passar. Casamento é aprender a ceder”, aconselha.

Ela afirma que os atritos sempre fizeram parte da vida a dois, mas nunca foram maiores que a decisão de permanecer juntos. Ao lado dela, Agnaldo resume a convivência em poucas palavras. “A gente acostuma e tudo faz parte”. 

Odete completa. “Acostuma e não sabe mais viver sem. Se ele demora para chegar, eu já fico preocupada. Depois de tantos anos, a vida da gente está toda misturada”, conta emocionada.

Às vésperas do Dia dos Namorados, o casal também deixa uma mensagem simples, com uma pitada de conselho de quem entende muito bem do assunto.

“Tem que pensar em ficar. Hoje as pessoas desistem muito fácil. Quando separa, quem sofre mais são os filhos. A família precisa ser levada a sério”, diz Odete.

Depois de 69 anos juntos, Odete e Agnaldo resumem a própria história não em fórmulas de amor, mas em escolhas diárias que, ao longo do tempo, construíram uma vida inteira compartilhada.