Existem alguns receios e mitos em relação ao vinho, um deles é que ele sempre causa dor de cabeça. Bem, uma parte disso é mito e uma parte é verdade. Os vinhos contem álcool e ponto final, por mais que digam que não existe vinho sem este elemento. Cervejas até podem ser feitas sem alcoól, vinhos nunca. Nos vinhos brancos a porcentagem é cerca de 8%, nos tintos, entre 12% a 14%, ou mais. Numa comparação, as cervejas mais vendidas do mercado têm em torno de 3% a 5%; a quantidade de álcool que o vinho contém desidrata o corpo rapidamente, causando dor de cabeça, por isso deve-se tomar sempre água junto com o vinho. 

Uma outra dica, sempre que possível coma alguma coisa enquanto degusta seu vinho, isso também ajuda a prevenir bastante o problema, mas na maioria dos casos beber água já resolve.
Quanto à água, é um capitulo à parte. Algumas pessoas preferem beber água com gás, consta que ela limpa mais as papilas gustativas, que são os sensores que existem na língua, e que nos permitem identificar os sabores, mas na verdade, como eu sempre digo, no mundo do vinho não existem verdades absolutas e é tudo uma questão pessoal; com gás ou sem, francesa ou portuguesa, o que importa é tomar água para hidratar-se.

Para algumas pessoas, porém, é uma predisposição genética que faz com que elas não possam se deliciar com um bom vinho sem aquela cefaleia infalível. Segundo pesquisas dos médicos Dan Waitzberg, nutrólogo do Hospital Beneficência Portuguesa e do neurologista Manoel Jacobsen, do Hospital Sírio-Libanês, ambos da capital paulista, essas pessoas não podem se beneficiar de algumas das substâncias mais benéficas do vinho: flavonoides, taninos e as antocianinas – todas ótimas para prevenir problemas vasculares e de circulação sanguínea. Responsáveis pelo sabor, pela cor e pela sensação que o vinho desata na boca, são justamente esses ingredientes que podem, nas pessoas predispostas, desarranjar a bioquímica cerebral, propiciando pressão na cabeça.

Outra substância do vinho associada à enxaqueca, a tiramina, surge durante a fermentação. “Como os taninos, elas fazem os vasos cerebrais pulsarem com mais magnitude, provocando a dor especialmente em quem já tem essas estruturas mais sensibilizadas”, explica Manoel Jacobsen. Vinhos tambem contêm em sua composição química, numa quantidade mínima, o  anidrido sulfuroso, que é adicionado ao vinho tinto para protegê-lo contra os efeitos da oxidação, atuando como um agente antimicrobiano. Esta substância também é produzida naturalmente durante a fermentação. Mesmo presente no vinho em quantidades mínimas, essa substância também causa dores de cabeça em pessoas com predisposição.

A título de curiosidade, também foi comprovado cientificamente que cervejas também causam dores de cabeça nas mesmas pessoas que tem a predisposição, só que, pela quantidade de álcool ser menor, a dor é menos intensa. Vários dos elementos químicos que causam esses efeitos só aparecem nas bebidas fermentadas.

Como eu disse, parte é mito e parte é verdade, mas a quantidade de pessoas com predisposição é pequena, na maioria das vezes é só se hidratar bebendo água junto com o vinho.

Bons vinhos a todos!

 

DESPERTAR

Se o vinho que derramas
à taça
É suficiente apenas pra matar
a própria sede
Entendes muito de vinho
mas pouco do amor

Amar é algo como
transbordar uma taça
Além do que é necessário
pra saciar a si mesmo
É despertar a beleza
com desdém aos próprios olhos
É poder amar
Através do desejo de amar

Lucas Carneiro de Oliveira