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COLUNA

Em Alta com Jhoseff Bulhões

Jhoseff Bulhões

Conheça Rafael Chaves, o vendedor de livros das feiras de Campo Grande

21 junho 2022 - 21h55

A coluna Em Alta traz um bate papo com o vendedor de livros. O jovem Rafael Chaves, 32 anos, filho de professora, conta com exclusividade sobre os desafios da profissão e fala da paixão pela venda. Tenho certeza que você vai gostar da entrevista. Leia!

1-Quando começou o interesse por livros e como funciona seu trabalho?

Eu comecei o interesse pela paixão por livros quando trabalhava na livraria Hamurabi lá eu fazia de tudo, abria e fechava a loja. Mas quando eu ia às feiras livres dos bairros nos horários de folgas, via que faltava algo mais, visão de inovação, como por livros e outras coisas. Comecei a pesquisar mais sobre livrarias itinerantes por aí, minha profissão funciona igual uma livraria física sebo faz, recebe doações de livros usados. Lixo eles com lixa de parede, limpos bem e em plastifico cada um. Só que sou itinerante, ou seja, cada dia em um bairro ou região diferente. Sempre público cada exposição na página do instagra.

2-Você percorre quantas feiras e quais dias?

Então, eu faço cinco  feiras por semana de quarta a domingo. Quarta-feira no bairro Paulo Coelho Machado, a partir das 17h30, Quinta-feira no bairro Rita Vieira, a partir das 17h30. Sexta-feira no bairro Parati, a partir das 17h30. Sábado no bairro Bálsamo! a partir das 17h30. Domingo no bairro Jardim Los Angeles a partir das 8h.

Mas agora como as coisas estão voltando ao normal, tem dia de semana que faço exposições em eventos culturais ou bares, como no Holandês Voador, Cultural Dibuteco, Feria do Ipê Amarelo, Sarau de Segunda, Brava, Feira Afrô.

 

3-Como foi trabalhar no período da pandemia?

No começo era complicado, todo mundo com medo, mas quando era só às feiras livres fazer exposição, muitas pessoas agradecem por ter acesso aos livros ao lado de casa e também quando faço entregas vendia super bem.

 

4-O seu meio de transporte é uma bicicleta? Comente mais sobre isso!

Sim, agora estou numa bike cargueira puxando uma carretinha para fazer exposições e tenho outra para fazer entregas. No começo era de ônibus com uma sacola dessas que compramos nos mercados atacadista cheia de livros e depois pegava duas caixas de madeiras de feira.  Com o tempo fui comprando mesas e duas caixas para pôr os livros. Depois nas feiras livres era de Uber, fiz muitas amizades com vários motoristas, muitos apoia e admira, mas infelizmente tem uns que recusava a corrida por vê duas caixas de livros. Aí pensei gasolina subindo todo mês, tem mês que sobe 2x ou 3x,e  daí falei para eu mesmo preciso algo que não me faz gastar muito. Daí decidi usar a bike cargueira, comprei usada, fui reformando aos poucos e a carretinha consegui fazer do zero por um preço bem acessível, graças a um serralheiro com sua equipe, que viu meu trabalho e me ajudou com bom desconto. Toda vez que preciso de solda, corro para eles, algumas vezes a garupa da bike que já quebrou.Quando tem exposição longe, peço ajuda para minha irmã para levar as coisas no carro dela.

5-Além de vender livros, você faz outra coisa? E o público? Quem compra mais livros? E quais são mais vendidos?

Só trabalho com isso! Estou ganhando muitos públicos em todas as exposições. Olha vejo muitas mulheres comprando livros tanto em romances, quanto financeiros e de religião, já os homens são poucos porém compram mais desde ficção até financeiro. Os livros mais vendidos é melhor falar por áreas como: financeiro, literatura em geral deste romance, ficção, terror, também na área filosofia, psicologia.

 

6-Além de vender, você tem o hábito da leitura?

Eu leio mais nas exposições quando não tem gente na banca olhando os livros. Dá mais para leituras rápidas, como costumo falar para os clientes, não precisa ler um livro ou um capítulo por dia. Estamos tão cheios de correrias no dia a dia que se você ler três páginas por dia já está ótimo. Dessas três você pode aumentar para sete páginas por dia e aí vai.

 

7-Você também é ativista? Quais causas defendem?

Sou mais ativista da literatura, provocando e dando acesso de livros nos bairros, onde as pessoas não estão muito acostumadas, digamos quebrando tabu com diferencial. Mas quando ia aos protesto eram exclusivamente para causas ao meio ambiente, pois os animais e a natureza não têm que pagar o preço de suas vidas, graças a ganância e egoísmo humanos. 

 

8-Há quanto tempo está trabalhando com vendas de livros?

Dessa minha pequena livraria sebo Itinerante já estou indo pelo terceiro ano seguido, mas antes disso trabalhei por dois anos e pouco em uma livraria no centro.

 

9-Vi que a venda de livros durante a pandemia deu um salto de vendas. O que acha que levou a isso?

Sim teve um grande aumento! Certamente porque só ficar na frente da TV cansa, e ler um livro não é a mesma coisa assistir uma série ou filme, inclusive daqueles filmes ou séries que saíam os livros.

 

10-Você tem algum sonho? Montar uma livraria ou outra coisa?

Tenho! Já estudei as regiões onde dá para abrir a Livraria.

 

11-Por que optou por ir ao trabalho de bike? Tem algum motivo?

Bom, começando que tenho uma paixão imensa por bikes, e fazer exercícios sempre é bom. O bolso agradece e o melhor não agride o meio ambiente com poluição!

 

12-Você provavelmente enfrentou algumas dificuldades ou continua durante esse trabalho?

Sim, e até hoje enfrento como chuvas, quando o pneu fura, mas isso não supera quando vejo as vezes pais que não incentiva os filhos a ler, parece mentira isso mas vejo muito isso no dia a dia, filhos querendo um simples gibi ou livro e tem pais não valorizando isso, chega ser triste e absurdo!

Claro que não estou me referindo a todos os pais, pois têm muitos que tiram meu chapéu, pois meu boné para eles incentivando e pegando no pé dos seus filhos para aprendizado.

 

13-Gosta do que faz?

Sim, com toda certeza desse mundo. Fico muito gratificante quando vejo pessoas andando nas feiras com livros ou gibis nas mãos pelas feiras, crianças, jovens ou adultos  e vê essas mesmas pessoas retornando comprando de novo dando apoio,indicando para outras pessoas que não tem valor. Tem feira livre no bairro Bálsamo que me surpreendeu, pois muitas pessoas falavam em expor livros aqui na região? Não vai sair livros, melhor expor no centro alguns falavam.

Simplesmente ignorei e fui expor e com muita surpresa na recepção com inúmeros clientes adquirindo livros ou gibis,  apoiando e como doações de livros.


14-Tem algum hobby?

Curto muito pedalar, uma paixão imensa. Gosto de ir a cachoeiras, passear com a minha dog e quando quero descansar bem, faço aquela maratona de série.

 

15-Sobre os julgamentos? Como você reage? Por que vender livros ainda deve sofrer algum tipo de preconceito?

Nossa demais demais,  isso eu enfrentei muito no começo, com caras feias e rejeições, pois muitas pessoas falavam: Vender livros nas feiras, pra que? Isso não vai dar certo e riam.  Eu sempre reagia com um sorriso, e dizia: OK, essa é a sua opinião. Mas estou aqui, terceiro ano seguido, já expondo nas feiras livres e eventos culturais, onde tenho muito apoio por esses donos e organizadores me deixarem expor. E claro não posso esquecer os guerreiros feirantes que também me ajudam como cedendo um pouco do espaço dos seus pontos até pico de luz de uma forma simples e grandiosa. Vou citar alguns deles: Dona Maria e seu filho Cezar e Chutis (neto), André com sua mulher que vende ovos e roupas, Salim dos hortifrutis, Cassiane e sua mãe que vendem roupas. Gabriel e Mary casal que vendem artesanato hippie, Fernando e Graciano ambos vendem eletrônicos, têm as famílias dos pastéis e lingeries e têm mais e mais feirantes guerreiros e guerreiras. Grato por todos vocês!


Para aqueles que queiram conhecer um pouco mais do trabalho dele e comprar livros, é só seguir a página no instagram: @rafiusk.livrariasebo

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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