O artista sul-mato-grossense André Tristão estreia nesta terça-feira (22), em Campo Grande, o espetáculo “Eu Vou Dançar Seu Ódio!”. A montagem reúne teatro, dança, performance, música, voz, projeções e iluminação para transformar em cena experiências de violência e discursos de ódio recebidos pelo artista nas redes sociais.

As primeiras apresentações serão realizadas às 15h e às 19h30, no Teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo. A terceira sessão ocorre na sexta-feira (25), às 19h, no SESC Teatro Prosa. Todas as apresentações têm entrada gratuita, com classificação indicativa de 14 anos e recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição.

O projeto foi contemplado pelo Edital FMIC/FOMTEATRO 2024, da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (FUNDAC) e da Prefeitura de Campo Grande. A iniciativa também conta com apoio do Centro Cultural José Octávio Guizzo e do SESC MS.

No palco, Tristão parte de experiências pessoais para investigar como diferentes formas de violência atravessam o corpo e permanecem registradas nele. A obra aborda temas como homofobia, gordofobia, sorofobia, infância e relações familiares.

“Em cena abordo questões como homofobia, gordofobia, sorofobia, infância e relações familiares. Vivendo com HIV, indetectável há mais de dez anos, transformo parte dessa experiência em matéria cênica, articulando autoficção, memória, movimento, palavra, música e recursos audiovisuais”, conta o artista.

A proposta não é apenas reproduzir ou denunciar as agressões, mas transformar o material que deu origem à obra. A pesquisa parte da pergunta sobre como o ódio pode ser deslocado por meio do corpo e da criação artística.

“Ao longo do solo, aquilo que inicialmente se apresenta como violência é manipulado, amplificado, tensionado e devolvido ao espaço. O ódio deixa de ser apenas uma força paralisante e se converte em movimento, presença e possibilidade de encontro”, explica Tristão.

O processo de criação começou a partir das experiências e inquietações do artista. Em paralelo, o dramaturgo Febraro de Oliveira desenvolveu a construção dramatúrgica com base no material compartilhado durante a pesquisa. Posteriormente, a diretora artística Rafaela Sahyoun passou a acompanhar o processo, provocando novos caminhos para a criação.

A pesquisa também foi desenvolvida entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. Parte dos ensaios e investigações realizadas na capital paulista ocorreu na Praça das Artes, com apoio da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

A equipe do espetáculo reúne ainda Jussara Miller, na direção de movimento; Dora de Andrade, na assistência de direção de movimento e preparação corporal; Well Flora Ires Batista Rodrigues, na assistência de direção; Aline Santini, no desenho de luz; Yantó, na trilha sonora; Octávio Tavares, na criação audiovisual; e Helton Pérez, da Vaca Azul, responsável pela fotografia e pelo design do projeto.

Oficina também integra programação

Além das apresentações, o projeto promove a oficina “O que o corpo faz com o ódio? - Dispositivos de criação entre Teatro, Dança e Performance”, conduzida por André Tristão.

A atividade terá quatro horas de duração e vai trabalhar sensibilização corporal, jogos de atenção, improvisação, composição cênica e conversa. A proposta é estimular os participantes a investigar relações entre corpo, memória, espaço e criação, produzindo imagens, gestos, movimentos e pequenas composições performativas.

A oficina é destinada a arte-educadores, professores, acadêmicos, artistas e demais interessados em práticas corporais e criação cênica. A classificação indicativa é de 18 anos.

O encontro será realizado no dia 26 de setembro, sábado, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, em duas turmas: das 9h às 13h e das 14h às 18h. As inscrições são gratuitas.

Serviço

“Eu Vou Dançar Seu Ódio!”, com André Tristão

22 de setembro

Horários: 15h e 19h30

Local: Teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, Rua 26 de Agosto, 453, Centro

Entrada: gratuita, mediante reserva

25 de setembro

Horário: 19h

Local: SESC Teatro Prosa, Rua Anhanduí, 200, Centro

Entrada: gratuita, mediante reserva

Classificação: 14 anos

Acessibilidade: Libras e audiodescrição

As reservas para as sessões devem ser feitas pelas páginas do Sympla indicadas pela organização do evento.