Citando os nomes de facções criminosas, o presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira (11) que ficou surpreso ao saber que o PCC (Primeiro Comando da Capital) e a Família do Norte têm códigos próprios que são utilizados para "matanças pavorosas".

"Estas organizações criminosas, PCC, Família do Norte, etc constituem-se quase, digamos, numa regra jurídica, numa regra de direito fora do Estado. Veja que eles têm até preceitos próprios. E, para surpresa nossa, até quando o fazem aquela pavorosa matança, o fazem baseado em códigos próprios. Está é uma questão que ultrapassa os limites da segurança para preocupar a nação como um todo", declarou Temer antes do início de uma reunião como núcleo de infraestrutura do governo.

A facção Família do Norte é apontada como responsável pela morte de 56 presos em um único presídio de Manaus no começo do ano. Já o PPC é acusado de matar 33 detentos em Boa Vista. Ao todo, o país já registrou a morte de 99 presos desde o início do ano.

O presidente voltou a defender a construção de presídios para retirar os detentos das atuais "condições desumanas" em que vivem. "Há presídios onde cabem 600 pessoas com 1.600 pessoas."

Segundo o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), ligado ao Ministério da Justiça, o país possui 371 mil vagas em prisões. Ao final de 2014 --dados mais recentes do órgão--, havia 622 mil detentos. Ou seja, faltam 251 mil vagas.

Conforme informou nesta terça-feira o jornal "O Estado de S. Paulo", para acabar com o deficit atual de vagas no sistema penitenciário nacional, seria necessário um investimento de pelo menos R$ 10 bilhões.

"Meu desejo é de que daqui alguns anos não haja necessidade de anunciar a construção de presídios, mas só escolas e postos de saúde. Mas o Brasil ainda tem um longo caminho para este efeito. No momento, a realidade que nós vivemos exige, naturalmente, a construção de presídios", afirmou Temer.

O presidente também voltou a dizer que o tema segurança pública, como um todo, não "cabe exatamente" ao governo federal, mas disse que seu governo vai auxiliar os Estados com relação aos assuntos penitenciários.