A presença da mulher no mercado de trabalho evoluiu muito nos últimos anos. Se antes, a maior parte das mulheres ficava em casa, hoje, a mão de obra feminina já é mais bem qualificada do que a masculina e ocupa posições relevantes dentro das empresas. Diante dessa realidade e aproveitando o mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher – uma data história para relembrar as conquistas femininas – o Jornal de Domingo apresenta mulheres que se destacam como empresárias em Campo Grande.

Ninguém duvida que o comércio é um cenário extremamente competitivo. Mesmo assim, não foi suficiente para afastar Marcia Cristina Machi Poffo, que há seis anos trabalha com produtos extremamente femininos: roupas íntimas. Dona da Jogê, no Shopping Campo Grande, a empresária alia a agitação de administrar uma loja com as responsabilidades de casa. “Tenho três filhos. Sorte que já estão mais crescidos, então não me exigem tanta atenção. Além disso, meu marido é superparceiro e sempre me apoiou”, comenta.

Marcia ainda conta que já teve experiência em administração anteriormente, mas foi com a Jogê que se viu realizada como empresária. “Já era uma marca bastante tradicional em São Paulo e muitas clientes daqui já compravam lá. Foi aí que eu tive a ideia de trazer para Campo Grande e foi recebida muito bem. Hoje temos uma clientela muito boa, fidelizada”, explica, acrescentando que a marca completa 50 anos em 2017.

Apesar de ainda ser uma “criança” se comparada à idade da marca em âmbito nacional, a Jogê em Campo Grande vem apresentando um bom desempenho a cada ano, sendo destaque entre as franquias do país. “Fico extremamente feliz. Esse destaque é um reconhecimento pelo nosso esforço e nos motiva ainda mais, já que indica que estamos indo pelo caminho certo”, diz Marcia.

Ela ainda reforça que pelo fato de a Jogê ser uma marca de produtos femininos, nunca sentiu nenhum tipo de preconceito por ser mulher e ter seu próprio negócio. “A Jogê é extremamente feminina, com produtos para todas as fases da vida, desde adolescentes, passando pela linha noiva e chegando à linha maternidade. Então quem melhor do que uma mulher para vender também esses produtos? Quase todas as franqueadas da marca são mulheres, apenas um é homem”, pontua.

Quando a paixão se torna profissão

A trajetória de Maristela França como empresária é bastante peculiar e, de certa forma, aconteceu “por acaso”. Dona do restaurante “Quitutes da Maristela”, ela começou cozinhando para amigos como hobby, já que sempre foi apaixonada por gastronomia. “Desde os meus oito, nove anos de idade já gostava muito de cozinhar. Deixava a empregada de casa louca, porque sempre queria ir para a cozinha”, recorda.

O talento, então, é de berço, e foi se aprimorando com cursos feitos quando viajava a passeio para São Paulo. “Fui aproveitando e sempre que ia tentava fazer pelo menos um curso de gastronomia”, comenta.

Com tanto amor pela cozinha, impossível não receber elogios sobre os pratos que preparava para a família e amigos em casa e logo vieram os incentivos do tipo “você precisa aceitar encomendas”. E foi assim que surgiu o “Quitutes da Maristela”, que atendia apenas em casa algumas encomendas. O sucesso foi tanto que Maristela se viu em pouco tempo com mais de 90 clientes.

“Depois disso eu resolvi dar um tempo e pensar melhor como dar seguimento a isso. Foi aí que um belo dia, enquanto abastecia meu carro no posto de gasolina, vi o espaço em que antes era uma conveniência com uma placa de aluga-se. Naquele momento percebi que era uma boa oportunidade, já que é um excelente ponto”, conta.

Foi aí que surgiu o restaurante, depois de uma grande reforma para deixar o ambiente o mais agradável possível.

Com uma decoração delicada e aconchegante, as refeições ficam ainda mais gostosas. “Trabalhamos com responsabilidade e muita dedicação, uma vez que cozinhar é um modo de amar os outros. Elaboro diariamente o cardápio com os melhores produtos. Temos serviço de entregas de marmitas e marmitex e também atendo empresas. Cozinhar é como um espetáculo: é preciso muita organização,treino,dedicação,conhecimento e amor para que, no final , os cincos sentidos o aplaudam de pé”, reforça a empresária.

O “Quitutes da Maristela” tem padaria, confeitaria e ainda oferece almoço, que pode ser servido como prato-feito, marmita e marmitex, tudo a um preço bem acessível. Além disso, há sempre opções light para aqueles que não querem fugir da dieta. “Sou eu que elaboro o cardápio do almoço e conto com três cozinheiras para me ajudar. Variamos muito os pratos com carnes nobres, como filé mignon, picanha e alcatra, com peixes como salmão e tilápia. São pratos bem balanceados”, reforça.

Os temperos também são leves e dão aquele gostinho de “comida feita em casa”. “Tenho muito cuidado em preparar pratos leves, sem muito sal nem condimentos, e sem muita fritura. Se o cliente tiver algum problema de saúde como diabetes ou pressão alta, também pode vir conversar comigo que elaboramos um cardápio especial”, acrescenta Maristela.

Para dar conta da rotina agitada dentro do restaurante, a empresária revela o segredo. “Costumo dormir cedo porque minha rotina de trabalho durante a semana é puxada e exige bastante energia. Não vou a festas e eventos nesses dias, a não ser que seja algo de um amigo querido. Aí faço questão de prestigiar. Adoro sair pra jantar”.