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Aumenta o número de recusa familiar para doações de órgãos
O número de famílias que passaram por entrevista e recusaram a doação dos órgãos dos seus entes aumentou de forma significativa este ano e, principalmente, nos primeiros dias do mês de maio. Neste mês, até o presente momento, sete pacientes foram diagnosticados com morte encefálica e seis famílias foram entrevistadas pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOOT) do hospital, mas apenas uma autorizou a doação dos órgãos.
Neste ano, 31 pacientes foram diagnosticados com morte encefálica na Santa Casa de Campo Grande, onze deles tiveram recusa médica por conta de alterações em exames clínicos, impossibilitando a doação. Vinte famílias foram entrevistadas pela CIHDOTT, porém apenas seis autorizaram a doação.
De acordo com a coordenadora da Comissão, Ana Paula das Neves, as pessoas podem expressar a vontade de fazer doação de órgãos, informado os familiares, já que após a morte, apenas os familiares podem autorizar o transplante. “Uma das tarefas mais difíceis para se efetivar uma doação de órgãos é a recusa dos familiares, que, normalmente, fundam sua decisão na alegação de não saber qual desejo do ente falecido a respeito do fato”, explica Ana Paula. Em vida, pode ser feita a doação de um dos órgãos duplos como rim, de parte do fígado, de um ou parte de um pulmão e medula óssea.
Morte encefálica
O quadro de morte encefálica só pode ser confirmado pelo médico após a realização de exames padronizados pela resolução 1.480/97, do Conselho Federal de Medicina. Dois ou mais testes são feitos com intervalo de algumas horas e comprovam a inatividade elétrica e metabólica irreversíveis no sistema nervoso central do paciente.
Esses exames são baseados em sólidas e reconhecidas normas. Entre outras coisas, os testes incluem um exame clínico para mostrar que o paciente não tem mais reflexos cerebrais e não pode mais respirar por si próprio, diferente de um paciente em estado vegetativo, que ainda é capaz de comandar suas funções vitais e, em muitos casos, despertar. Na morte cerebral, despertar seria o mesmo que ressuscitar.