Desde a manhã de terça-feira (27) os atendimentos no Hospital de Câncer de Barretos de Campo Grande estão comprometidos por conta de uma invasão envolvendo hackers. As unidades de Jales (SP) e Porto Velho (RO), além dos Institutos de Prevenção ao redor do Brasil, também sofrem com o ataque.

De ontem para hoje somente na Capital, 50 procedimentos deixaram de ser realizados, segundo a assessoria de comunicação do hospital. Apenas os exames preventivos e mamografias estão sendo realizados, porque podem ser feitos de forma manual.   “Tudo é conectado ao sistema. A mamografia está sendo feita na unidade móvel que está no estacionamento do hospital. Ultrassom, agulhamento e consulta estão sendo reagendados”, explica.

Para que não gastem tempo e dinheiro se deslocando até a unidade, os pacientes estão sendo orientados por telefone a naco comparecer no hospital e reagendar suas consultas e exames. 

Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o coordenador do Departamento de Tecnologia da Informação (TI) da instituição, Douglas Vieira dos Reis, contou que esse ataque foi parecido com o que aconteceu em várias empresas no mundo há cerca de dois meses. “É um programa que se aproveita da vulnerabilidade do sistema. Ele entra e criptografa alguns dados e lança uma tela pedindo resgate das informações”, explicou.
O pedido de resgate ao qual Reis se refere é de US$ 300 em bitcoins, uma espécie de moeda virtual por máquina. Só o Hospital em Barretos possui cerca de 1.000 computadores.

O problema foi percebido por volta das 9 horas. “Desde o começo estamos mobilizados para resolver isso. Esse tipo de invasão não escolhe a empresa, é aleatório. Vale ressaltar que as informações dos pacientes estão seguras e preservadas”, disse o coordenador da TI.

No setor de radioterapia de Barretos e Jales, cerca de 350 pacientes tiveram seus exames prejudicados pela invasão. “Alguns aparelhos dependem da tecnologia, dos computadores, para que possam funcionar. Para garantir a segurança do paciente, até que o sistema volte ao normal, o tratamento nessas máquinas estará parado”, afirmou o coordenador médico do departamento, Daniel Marconi.

A previsão é de que o sistema do Hospital esteja normalizado e em funcionado em até três dias.