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“Me sinto desrespeitado”, diz artista autor de estátua de Manoel de Barros
Ique Woitschach defende que sua obra seja instalada local onde havia sido sugerido inicialmente
Campo Grande está sendo palco de uma batalha, que na visão de uma grande maioria é incoerente. Uma decisão judicial baseada em um parecer do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul – IHGMS proíbe a instalação da estátua do poeta Manoel de Barros no canteiro central da Avenida Afonso Pena, entre as ruas 13 de maio e Rui Barbosa.
Em conversa com o JD1 Notícias, o artista plástico Ique Woitschach, autor da obra, demonstrou sentimento de tristeza e revolta com toda a situação. “Eu respeito a todos, a população, o juiz, o instituto, mas eu não me sinto respeitado. A decisão de colocar a estátua naquele local não foi tomada levianamente”.
Ique Woitschach fez a escultura a pedido do Governo do Estado para celebrar o centenário de nascimento do escritor pantaneiro e os 40 anos de criação de Mato Grosso do Sul. De acordo com o artista ele fez o projeto totalmente voltado para que a instalação fosse feita no canteiro central da Avenida Afonso Pena entre as ruas 13 de maio e Rui Barbosa.
Tudo foi levado em consideração para que a obra de arte fosse valorizada e não se deteriorasse com o tempo, além da questão da segurança, pois como essa região tem alta circulação de pessoas é pouco provável a ação dos vândalos. “Na sombra de uma figueira centenária iria ficar o maior quintal do mundo” destaca Ique.
O artista ressalta que sua posição quanto a toda essa contenda é a de conversar. “Acredito que o dialógo possa resolver essa situação”. Ique questiona a questão de não haver nenhuma documentação que comprove que a área é de fato um sitio histórico militar, afinal o próprio exército é a favor da instalação. O artista continua a defender que sua obra seja instalada no local inicial e fala até em perseguição. “Para mim isso tudo caracteriza e configura uma perseguição com o meu trabalho” desabafou o artista.
Ele salienta ainda que quem sai perdendo nessa confusão toda é a população da Capital. “A história de Manoel de Barros é muito nossa. Se a estatua for tirada dali quem perde é a cidade, essa história deve ser exaltada e conceituada, e não colocada em um lugar de difícil acesso onde a população não poderá interagir com ela”, conclui.