Esquerda, Direita ou Centro, cultos ou incultos, a maioria tem na ponta da língua, a frase que une a todos no Brasil, é a que afirma que "a melhor saída é a educação". Impossível é, achar alguém que discorde disso, a eficiência das ações de ensino, porém, estão longe de traduzirem essa prioridade.

É o que aponta um estudo, realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE/MS), na qual o resultado é estarrecedor. Pelo menos 78 municípios de Mato Grosso do Sul desperdiçam dinheiro graças a um festival de repetências, a soma é de mais de R$ 201 milhões somente em 2016, somando-se os números de secretarias de educação de todas as cidades do estado.

Dados destas reprovações e do prejuízo econômico que elas trazem estão no livro “(In)sucesso Escolar”, lançado na último quinta-feira (29) no TCE/MS. De acordo com o Conselheiro Ronaldo Chadid, Tribunal de Contas do Estado tem trabalhado de forma preventiva e pedagógica, produzindo livros para orientar o gestor público a aplicar melhor os recursos, especialmente na área de educação.

O livro trata de dois temas: a taxa de rendimento escolar e o impacto financeiro  gerado com esse déficit educacional. “O livro analisa dados de 2011 a 2016 e pode ser constatado que a taxa de insucesso escolar vem crescendo. Como por exemplo, em 2016 no estado foram investidos R$ 2 bilhões e 320 milhões na educação, no entanto em torno de R$ 201 milhões foram desperdiçados com reprovação e abandono escolar” destacou o conselheiro.

Ronaldo Chadid destacou que a causa do insucesso escolar está na baixa qualidade do ensino, na falta de acompanhamento e de políticas públicas para a melhoria do ensino.

De acordo com estudo feito para a produção do livro, no ano de 2016 em 12 municípios do estado a taxa de insucesso escolar chegou a 20%, sendo que a taxa máxima no  PNE (Plano Nacional de Ensino) é de 5%. E dos 79 municípios do Estado somente em Figueirão a taxa foi menor que a máxima do PNE, a cidade que apresentou o pior índice foi Itaquiraí com 21,3% de reprovação.

Considerando os dados dos 79 municípios foram totalizadas 30 mil reprovações e abandonos em 2016, um percentual de 12,2% de reprovados e 1,1% de abando. Campo Grande representa 20% desse total com 6 mil  alunos reprovados. Os dados levam em consideração o número de alunos matriculados na rede municipal no ensino do 1º ao 9º ano.

Apesar da pesquisa ter sido realizada apenas nas escolas municipais, a  secretária de Educação Estadual Maria Cecília Amendola da Motta esteve presente no lançamento e apoia a iniciativa do TCE. “Eu acredito que esse livro mostra para cada município de 2011 a 2016 como ele se comporta na questão de aprovação, reprovação e abandono e o impacto financeiro disso tudo. Ou seja, esse trabalho vem a colaborar com os gestores municipais em tomadas de decisão para o ano que vai se iniciar”, destaca.

A Secretaria destaca ainda que os resultados levam o gestor daquele município a pensar financeiramente sobre o problema. “Quando o município vê quantas crianças que reprovaram ou abandonaram a escola, transforma isso em valores financeiros. Há um impacto financeiro. O que leva o administradora pensar que vai ter que investir novamente naquele mesmo ano. Dessa forma ele pode planejar quais ações pedagógicas ou de acompanhamento para que esse aluno não reprove ou acabe reprovando ou abandonando o estudo. Ele vai usar esse recurso que ele perderia numa ação positiva para que os alunos tenham lugar na escola, que eles não se evadam, não reprovem, mas que eles aprendam”, conclui. 

O estado também já fez um estudo neste mesmo sentido para planejamento em 2015. Foi mostrado o impacto financeiro  do índice de reprovação e abandono que era de 25% no estado, mas hoje já é de 22% e a secretária conta que está trabalhando para que esse índice diminua ainda mais.

Já a Secretária Municipal de Educação Elza Fernandes Ortelhado,  declarou que não tinha conhecimento do estudo conduzido pelo TCE e que recebeu o livro na última nesta sexta-feira (1º). Quando questionada sobre o estudo disse que como a secretaria não foi consultada e não participou da condução da elaboração do livro, ela preferia não comentar.

Dados

Para melhor ilustração dos dados do (in)sucesso escolar, a Tabela  apresenta as taxas de aprovação, reprovação e abandono escolar, do ensino fundamental da rede municipal de ensino nos anos de 2011 a 2016, com taxas do Brasil, Centro-Oeste e Mato Grosso do Sul.

Os dados mostram que em 2016, o estado de MS piorou suas taxas de rendimento, com 86,7% de aprovação, voltando ao índice do ano de 2014. Os números de Mato Grosso do Sul estão abaixo dos registrados no Centro-Oeste e no Brasil no quesito aprovação. O número de reprovações  também chamam atenção por estarem acima do registrado no Brasil e ser quase o dobro do apontado para todo o Centro-Oeste.

Em Campo Grande os dados também chamam atenção. Em 2016, dos pouco mais de 70 mil alunos matriculados na rede municipal, 6.123 reprovaram ou abandonaram a escolha. Falando de impacto financeiro, dos R$ 722.201.2017, 92 gastos com educação ano passado R$ 44.202. 101,17 foram gastos com reprovações e abandonos. O impacto financeiro foi de 6,1%.