Por falta de provas a denúncia contra o deputado estadual Paulo Siufi (PMDB) na operação Coffee Break foi rejeitada por oito desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) na tarde de quarta-feira (21). Dos 15 desembargadores que compõem o Órgão Especial, 13 estavam presentes, mas apenas 9 se declararam aptos a votar.

Paulo Siufi foi um dos denunciados por corrupção passiva pelo Ministério Público estadual (MP-MS) no processo que terminou com a cassação do então prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, em março de 2014, porém o relator da Coffee Break no TJMS, desembargador Júlio Siqueira, destacou que o Ministério Público Estadual não conseguiu provar o envolvimento do parlamentar em corrupção.

A denúncia contra Siufi está instruída em quase 40 mil páginas.  Júlio Siqueira, no entanto, destacou, citando vários promotores de justiça, que não há nada que prove o envolvimento de Paulo Siufi em corrupção e não viu crime em suas reuniões para discutir a cassação de Alcides Bernal. A respeito dos rendimento do deputado, o desembargador relacionou a evolução patrimonial de Siufi ao seu trabalho como médico e empresário.

Em sue voto, o desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, questionou o uso do promotor Marcos Vera de testemunhos ligados ao então prefeito Alcides Bernal e fazendo críticas duras ao promotor salientou que escutas telefônicas anexados ao processo não provaram nada contra o deputado.

O desembargador João Maria Lós compartilhou da opinião de Claudionor Duarte e disse que não vê crime na indicação de pessoas para cargos políticos e criticou o farto do promotor Marcos Vera usar testemunhos de pessoas que ouviram de outras que Siufi estava recendo dinheiro pela cassação de Bernal.

Já o desembargador Carlos Eduardo Contar criticou veemente ao trabalho do Ministério Público. Ele, que veio do MPE, destacou que na face da terra não existe político que não faça indicação a cargo público.

Os desembargadores Dorival Pavan, Vladimir de Abreu, Fernando Marinho e Manoel Mendes Carli, também rejeitaram a denúncia acreditando não haver provas suficientes. O desembargador Sergio Martins decidiu pedir vistas, ou seja, analisar melhor o caso, já que voltou de férias no dia 15 de fevereiro.

Mesmo que o voto de Sérgio Fernandes Martins seja a favor da denúncia, Paulo Siufi já está livre do julgamento no Tribunal de Justiça. O caso de Paulo Siufi foi julgado pelos desembargadores porque hoje ele é deputado estadual e tem foro privilegiado. Os outros 22 acusados serão julgados na 1ª instância. O caso volta a ser analisado pelo Órgão Especial no dia 7 de março.

O deputado considera a decisão do TJ justa e serena. "A decisão foi recebida por mim com muita tranquilidade, respeito o trabalho do Ministério Público e da Justiça de maneira geral", afirmou Siufi.