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Campanha contra assédio "não é mimimi" para casais que se conheceram no Carnaval
O jornalista, Airton Gontow, revelou como conquistou a amada, que foi cortejada, após mostrar interesse, e o mais importante, depois de dizer 'SIM'
Mesmo em clima de festa e paquera, casais provam que o flerte pode acontecer de forma respeitosa no Carnaval, respeitando os limites impostos pelo outro durante a folia. Diante de falácias, que corrompem o intuito das campanhas contra assédio no Carnaval, sob o pretexto de que, se não houver ‘cantada’, diminui as chances de relacionamento, Airton Gontow e Dalton Figueiredo Júnior provam o contrário.
Casado há 17 anos com Maria Gontow, o jornalista Airton Gontow revelou como conquistou a amada, que foi cortejada, após mostrar interesse, e o mais importante, depois de dizer ‘SIM’. “Conheci minha esposa, Maria, em um baile de Carnaval, no dia 4 de fevereiro de 2008. Foi no Avenida Club, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, no ‘Carnaval à Moda Antiga”.
Airton contou que precisou de um pouco de coragem para chegar em Maria, após notar olhares em sua direção, teve algumas tentativas falhas de chegar na moça, até finalmente chamá-la para uma conversa quase no fim da festa. “Ela estava no último degrau, quase na calçada. Aproximei-me e chamei-a. Ela virou e eu disse: ‘Oi’. Ao que ela respondeu ‘oi’. Falei: ‘não sei dançar, mas sou bom de papo. Tu aceitas tomar um café comigo?’ Ela olhou para a irmã e disse: ‘sim’! Ficamos horas conversando no café e já marcamos um novo encontro. Desde então, não nos desgrudamos mais. No último dia 4 de fevereiro, festejamos 17 anos de união”.
Maria e Airton Gontow
Devido a essa conexão, criada a base de respeito, Airton defende ações em prol do combate ao assédio. “Lutar contra o assédio não é mimimi. Assédio é crime! O mimimi é de quem quer continuar a ter atitudes cafajestes e não respeitar as mulheres”.
Opinião também é compartilhada pelo radialista Dalton Figueiredo Júnior, 59 anos, que há mais de quatro décadas conheceu sua companheira de vida, Alexandrina Almeida, durante a folia carnavalesca em Campos dos Goytacazes. “Conheci minha esposa em 1983, em um Carnaval. Alugamos uma casa e fomos em quatro amigos e cinco amigas. Acabei conhecendo a Alexandrina e logo nos apaixonamos. Uma semana depois, já estávamos firmes e fomos assistir a um filme, musical, chamado ‘Anne’. Ficamos noivos no Carnaval seguinte e nos casamos no outro. Estamos juntos há 42 anos, e agora estamos celebrando 40 anos de casados”.
Pais de dois filhos, e atualmente morando em São Paulo, o casal sempre comemora o Carnaval, sem esquecer um terceiro filho, que partiu ainda jovem, também durante o Carnaval. “E se o assunto é o assédio, somos – eu e a Alexandrina – completamente favoráveis a essa campanha. O Carnaval é lindo. O assédio não. Essas campanhas vieram para tornar as festas mais seguras e com mais respeito a todos, especialmente em relação às mulheres”.
Alexandrina Almeida e Dalton Figueiredo
“Folia sim, assédio não!
Neste ano, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul se uniu à campanha “Não é Não”, uma iniciativa de âmbito nacional cujo objetivo é conscientizar a população sobre os diferentes tipos de assédio e violência de gênero, além de orientar sobre como identificá-los e denunciá-los junto aos órgãos competentes.
Durante os dias de Carnaval, materiais educativos com informativos "Não é Não! Entendeu?" estão sendo distribuídos aos foliões, destacando os canais de denúncia.
Denuncie
O assédio sexual, previsto no art. 216-A do Código Penal, é o constrangimento da mulher com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, seja no ambiente de trabalho, doméstico ou em espaços públicos.
A importunação sexual (art. 215-A do Código Penal), por sua vez, refere-se a atos libidinosos sem consentimento, geralmente em locais públicos.
Ambos os crimes são graves e devem ser denunciados pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou pelo Ligue 190 (Polícia Militar).