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“Eu sou caminhoneira e amo a minha profissão” o relato de uma motorista de caminhão

Uma mulher que ambiciona ainda mais e é muito feliz numa profissão vista por muitos como masculina

09 março 2018 - 08h24Juliana Alves

Um dos universos mais masculinos que podemos pensar é o mundo dos caminhoneiros. Atualmente muitas mulheres se aventuram atrás do volante, mas geralmente os carros são os alvos. No entanto Maria José Matos (48) sempre sonhou diferente, a sua grande ambição sempre foi se tornar caminhoneira.

A história de Maria José começa enquanto ela trabalhava como cobradora em uma empresa transporte de passageiros. Lá ela trabalhou por muitos anos, mas sempre com aquele sonho de ser ela a motorista. Correndo atrás de seu objetivo ela tirou a carteira e embarcou nessa aventura e foi motorista de ônibus por alguns anos.

No entanto a mais ou menos 15 anos sua ambição, de se tornar caminhoneira, deixou de ser sonho e Maria conseguiu a carteira de motorista de caminhão, e entrou no mercado de trabalho. Hoje ela trabalha com carteira assinada em uma empresa de transporte de carga e é a única caminhoneira da equipe.

Segundo ela mesmo no princípio sofreu pouquíssimo preconceito, coisas com algumas frases machista do tipo “lugar de mulher é o fogão”. Mas esse desafio foi enfrentado com uma postura muito alegre.

“Preconceito não, mas muitas cantadas” lembrou Maria José rindo. “Eu acho que é por que eu não deixo também, eu chego eu converso, não sou uma pessoa que exclui ninguém. Até mesmo na rua quando mulheres veem que é uma mulher dentro daquele caminhão dirigindo elas buzinam, fazem sinal e mostram aos filhos” comentou. Mas ainda assim ela contou que sente o preconceito mais por parte das mulheres do que dos homens.

Maria sonhava ainda mais alto e em 2015 havia começado a tirar a carteira para ser motorista de carreta, mas acabou sofrendo um acidente de moto e por conta do tratamento teve que adiar a meta. “Eu ainda vou virar carreteira, esse ano eu volto a escola e vou tirar minha carteira”.

Mesmo quanto a questão salarial, que geralmente é desigual para as mulheres, a caminhoneira não sente a diferença. “A única diferença vem no número de viagens e horas extras, pode ser que esse mês eu ganhe mais que eles, por que viajei mais que um homem ou ganhar menos por que viajei menos” explicou.

Maria José está envolvida em todas as etapas do processo de trransporte em seu caminhão, inclusive no momento de descarregar, ela faz transporte de cargas secas (mercadorias destinadas a supermercados como sabão, detergente,...) por todo o país.

A Família

Com a família, Maria José não sofreu também, o marido apoia e incentiva seus sonhos. “Eu digo a ele que eu não vou largar da minha profissão e eu amo minha profissão eu vou ser carreteira e vou viajar esse mundão afora” resslata a caminhoneira.

No entanto uma de suas três filhas teme pela mãe por achar que se trata de uma profissão muito perigosa. “Minha filha do meio sempre está apreensiva comigo, por que ela não quer que eu siga essa profissão, ela tem medo” disse Maria José.

A única caminhoneira da empresa Trans América concluiu dizendo que “Não é uma profissão perigosa. É muito bom. Onde eu paro com meu caminhão os motoristas em geral, sabendo que eu sou caminhoneira, eles mesmo me cuidam. Eu fico entre ele e é uma coisa muito bacana”.

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