Internacional
Cambridge, a "vale do silício inglesa"
O polo de tecnologia da Inglaterra é inspirado no Vale do Silício americano
Apple, Amazon e Google montaram na Grã-Bretanha centros de pesquisa e engenharia adquirindo empresas saídas das universidades locais, e gastando com isto centenas de milhões de dólares.
Atualmente, na cidade inglesa de Cambridge, há mais de 4,5 mil companhias de alta tecnologia, que empregam cerca de 75 mil pessoas, segundo o Cambridge Network, um grupo empresarial da cidade.
A Amazon, que fica em um edifício de escritórios de vidro e pedra com um grande terraço no topo, projeta os seus drones. A Microsoft, localizada no mesmo quarteirão, em outra construção de pedras, projeta um chip para inteligência artificial. Em um edifício mais adiante, a Apple tenta romper as fronteiras da Siri, a assistente digital que fala e pode ser ouvida em todo iPhone.
Do outro lado da rua, em frente à Amazon, a ARM, a fabricante de chips de computador do SoftBank, a gigante tecnológica japonesa, transferiu os engenheiros para escritórios temporários. Um novo edifício está em construção bem ao lado. É ali que a Samsung, o conglomerado de tecnologia da Coreia do Sul, abrirá outro laboratório de inteligência artificial, contratando 150 pessoas.
Durante anos, jornalistas, especialistas em planejamento urbano e de outras áreas chamaram este lugar “Silicon Fen” (ou o Fenômeno de Cambridge) com seus grandes negócios de tecnologia, considerando esta região, outrora pacata, nos arredores de Cambridge, a resposta da Grã-Bretanha ao Vale do Silício americano.
Há cinco anos, a Microsoft transferiu o seu laboratório para o edifício que toma todo um quarteirão na cidade, perto da estação ferroviária. Muitos dos antigos discípulos e colegas de Bishop agora trabalham em outras grandes empresas tecnológicas.
No ano passado, um relatório encomendado pelo governo britânico pediu o aumento do financiamento para as universidades e o governo respondeu, afirmando que, até 2020, financiará 200 novos Ph.Ds em inteligência artificial e campos correlatos, e investirá US$ 500 milhões em educação tecnológica na Grã-Bretanha.
Nem todos estão satisfeitos com o rumo tecnológico tomado em Cambridge. No ano passado, um novo empreendimento na área da habitação foi vandalizado com grafites em latim: “Locus in Domos Loci Populum”. Como a BBS noticiou, a tradução é “habitações locais para pessoas locais”.
Enquanto os trabalhadores da tecnologia ganham enormes salários, os preços das casas estão subindo vertiginosamente, e os moradores da cidade já estão sofrendo um aperto financeiro. Mais um exemplo da semelhança entre Silicon Fen e Silicon Valley.