Dois prefeitos venezuelanos se envolveram em uma situação polêmica depois de marcar as casas de potenciais pacientes da Covid-19 com sinais de alerta - uma medida que foi duramente criticada por ONGs de direitos civis e levou a uma investigação do procurador-geral da Venezuela.

Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram na terça-feira (6), o prefeito Luis Adrian Duque, da cidade de Guama, um pequeno vilarejo no estado venezuelano de Yaracuy, anunciou a medida como parte da política de bloqueio da cidade.

“Estamos protegendo nosso povo, [esta placa] indica um caso positivo ou um caso potencial, para que as pessoas fiquem cientes”, diz Duque no vídeo, enquanto aponta para uma placa vermelha de proibição colocada na janela de uma casa local.

As pessoas flagradas removendo as placas Covid-19 de suas casas seriam multadas em 10 milhões de bolívares, o equivalente a R$ 28, mas uma quantia fora do alcance de muitos na Venezuela, onde o salário mínimo mensal é inferior a um dólar americano. Aqueles que não pudessem pagar a multa seriam obrigados a cumprir dias de serviços comunitários "voluntários", informou Duque.

Segundo dados coletados pelo governo venezuelano, o país registrou um total de 169.074 casos e 1.693 mortes. No entanto, as autoridades de saúde e a oposição venezuelana questionaram a capacidade do governo de coletar e analisar os números e alertaram que a quantidade real de casos poderia ser muito maior.

Na noite de quarta-feira (7), o procurador-geral venezuelano Tarek William Saab anunciou uma investigação sobre as ações de Duque, classificando-as de "macabras" e não sancionadas pelo governo venezuelano. Saab confirmou à CNN que o prefeito estava sob investigação, mas disse que não poderia comentar o caso em andamento. O procurador-geral levou várias horas para intervir na situação e, quando o fez, as redes sociais estavam em chamas em torno do assunto.