Fatalidade

Polícia descarta feminicídio e suicídio em acidente que matou mulher no Rio Ivinhema

Delegado aponta fatalidade e explica fatores que podem ter provocado a queda da caminhonete em Angélica; companheiro da vítima continua desaparecido

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O acidente envolvendo uma caminhonete que caiu no Rio Ivinhema, em Angélica, e terminou na morte de Estela Thomazetto, de 48 anos, não foi caracterizado como feminicídio nem suicídio. Os detalhes sobre o caso foram esclarecidos pelo delegado da Polícia Civil Gustavo Oliveira.

No momento do acidente, Estela estava na caminhonete Chevrolet S10, conduzida pelo companheiro, João Luiz dos Santos, de 56 anos, que permanece desaparecido. Ambos eram naturais do Paraná e trabalhavam em uma fazenda da região.

Segundo informações do site Ivinotícias, o delegado explicou que as investigações apontam que o caso foi uma fatalidade, sem qualquer indício de feminicídio ou suicídio.

De acordo com Gustavo Oliveira, diversos fatores podem ter contribuído para o acidente. Um dos principais pontos identificados é que as vítimas não conheciam aquela região, que corresponde a um condomínio fechado.

Outro fator considerado importante é a situação das estradas da região, que apresentam diversos trechos alagados. Em alguns pontos, a água chega à altura das rodas de veículos altos, como caminhonetes. Essa condição pode ter levado o casal a acreditar que o acesso ao condomínio seria apenas mais um trecho de estrada alagada.

O delegado também mencionou relatos de que o casal teria passado o dia ingerindo bebidas alcoólicas. Segundo ele, essa circunstância, somada à idade dos ocupantes e à possível redução dos reflexos e da visão, pode ter contribuído para o acidente.

Um dos pontos destacados por Gustavo Oliveira é a análise técnica das imagens que registraram o momento do acidente.

Segundo o delegado, nas imagens é possível observar que a mulher estava sentada no interior do veículo, segurando com uma das mãos a alça de segurança, geralmente utilizada pelos passageiros ao transpor obstáculos. A análise não identificou ninguém segurando a vítima, sinais de agitação ou qualquer elemento que indicasse uma discussão ou que ela estivesse sendo levada à força.

Ainda conforme a investigação, os gritos de socorro da mulher ocorreram somente depois que a caminhonete entrou na água e começou a afundar.

Outro detalhe importante está relacionado à reação do motorista. Conforme a análise das imagens, apenas quatro segundos após a entrada do veículo na água, o condutor acionou o freio e engatou a marcha à ré, fato identificado pelas luzes traseiras da caminhonete.

Para a Polícia Civil, esse comportamento reforça a hipótese de que o casal entrou no local por engano e tentou retornar assim que percebeu a situação.

Profundidade e pressão da água dificultaram saída do veículo

O delegado também explicou por que as vítimas possivelmente não conseguiram sair da caminhonete.

Segundo ele, a rampa de acesso estava mais alagada do que o habitual, impossibilitando a visualização do declive acentuado. Em aproximadamente quatro segundos após a entrada no rio, a água já havia tomado praticamente toda a cabine e coberto a porta do veículo.

A pressão da água tornou extremamente difícil a abertura das portas, especialmente considerando a idade dos ocupantes. O local apresenta aproximadamente seis metros de profundidade já nos primeiros metros após a rampa.

A análise pericial das imagens também não identificou qualquer momento em que as vítimas tenham conseguido sair do veículo.

Conforme explicou o delegado, a porta teria se aberto posteriormente, quando a caminhonete já estava no fundo do rio, possivelmente em razão da pressão da água. Nesse momento, uma das vítimas pode ter sido projetada para fora do veículo e permanece desaparecida.

A força da correnteza também provocou o deslocamento da caminhonete pelo fundo do rio, por uma distância estimada em aproximadamente 40 metros.

Polícia descarta, até o momento, morte intencional

Ao concluir os esclarecimentos, Gustavo Oliveira reforçou que, até o momento, não existem elementos que apontem para uma morte intencional.

O delegado destacou que não há histórico de violência entre o casal nem outros indícios que justifiquem uma linha investigativa diferente da hipótese de acidente provocado por erro de percepção.

A autoridade policial também fez um alerta sobre a divulgação de conclusões precipitadas a respeito do caso, classificando como desrespeitosas com a família das vítimas as informações que apontam para outras possibilidades sem respaldo nas investigações.

As buscas pela vítima que permanece desaparecida continuam em andamento.

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