A liberação de mosquitos do Método Wolbachia acontecerá em dezembro juntamente com a inauguração da biofábrica instalada na sede do Laboratório Central de Mato Grosso do Sul (Lacen/MS) localizado em Campo Grande.

Os bairros Guanandi, Aero Rancho, Batistão, Centenário, Coophavila II, Tijuca e Lageado deverão receber o Aedes aegypti com Wolbachia que  judarão no combate à dengue, zika e chikungunya na capital.

A iniciativa criada pelo World Mosquito Program (WMP), é conduzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), implementada em Campo Grande com apoio da Secretaria de Estado de Saúde (SES). O método demonstrou significativos resultados em Niterói, no Rio de Janeiro, no combate ao vírus propagador de doenças. O projeto foi adiado em razão da pandemia do coronavírus, mas retomado este mês.

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, a iniciativa representa um verdadeiro alívio para Mato Grosso do Sul que sofre com a doença há muitos anos. “Apenas os investimentos na ciência e na pesquisa, como o Governo de MS tem feito, poderemos encontrar soluções para combater eventuais epidemias”.

O Método Wolbachia será implementado em toda a área urbana da Capital em cerca de três anos. Na sede do Lacen, espaço cedido pelo Governo de MS via SES, a biofábrica abrigará salas para a produção dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia do WMP Brasil/Fiocruz, bem como para triagem das larvas provenientes das ovitrampas utilizadas no monitoramento. A estimativa de produção semanal é de cerca de um milhão e meio de mosquitos com Wolbachia.

Líder do Método Wolbachia no Brasil e pesquisador da Fiocruz, Luciano Moreira, explica que o projeto é resultado da descoberta do WMP de que o mosquito Aedes aegypti, quando contém a bactéria Wolbachia, tem sua capacidade reduzida de transmitir as três doenças citadas. “Campo Grande é uma cidade de médio porte que tem problemas de dengue e, então, foi escolhida no Centro-oeste para mostrar que o projeto pode funcionar em diversos biomas do Brasil”, pontua.

Wolbachia

A Wolbachia é uma bactéria intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, ela impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças. Importante ressaltar, que não há modificação genética nem no mosquito, nem na bactéria.

O Método Wolbachia consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais e gerar uma nova população destes mosquitos, todos com Wolbachia. Uma vez que os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente, eles se reproduzem com mosquitos de campo e ajudam a criar uma nova geração de mosquitos com Wolbachia.