Saúde
Covid-19: Lambda é variante de "interesse" entre cientistas
Especialista aponta que variante pode ser mais transmissível que a SARS-CoV-2
Infecções causadas pela variante Lambda têm surgido nos Estados Unidos. O sequenciamento genômico identificou 1.060 casos de Covid-19 causados pela variante no país até agora, de acordo com a iniciativa independente de compartilhamento de dados GISAID.
A variante Lambda foi identificada pela primeira vez no Peru em dezembro de 2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) designa a Delta como uma "variante de preocupação". Já a Lambda é definida um grau inferior como uma "variante de interesse".
Acho que sempre que uma variante é identificada e demonstra a capacidade de se espalhar rapidamente em uma população, você deve se preocupar", disse à CNN o pesquisador Gregory Poland, professor de medicina e diretor do Vaccine Research Group da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota.
Segundo os cientistas, a variante não é tão preocupante quanto a variante Delta nos Estados Unidos, que vem provocando um aumento no número de casos em todo o país, mas os primeiros estudos sugerem que ela possui mutações que a tornam mais transmissível do que a cepa original do coronavírus.
"Lambda tem mutações preocupantes, mas esta variante permanece bastante rara nos Estados Unidos, apesar de existir há vários meses", escreveu o pesquisador Preeti Malani, diretor de saúde da divisão de doenças infecciosas da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, em um e-mail na sexta-feira (6).
"É difícil saber ao certo o quão transmissível é a Lambda e quão bem as vacinas funcionam contra a variante. Até agora, parece que a Lambda é mais transmissível do que o vírus SARS-CoV-2 original", o que é semelhante à linhagem Delta e outras variantes, escreveu Malani, um especialista da Infectious Diseases Society of America. SARS-CoV-2 é o nome do coronavírus que causa a Covid-19.
“Felizmente, os estudos sugerem que as vacinas atualmente disponíveis permanecem protetoras. Aprendemos durante a pandemia que as coisas podem mudar rapidamente, então controlar a disseminação de Covid-19 em geral ajudará a controlar a Lambda”, escreveu Malani.
Até agora, os dados permanecem divididos sobre o quão bem as vacinas protegem contra a variante Lambda. Segundo os cientistas, são necessários estudos complementares para responder essa questão.
Em julho, pesquisadores afirmaram em um estudo que encontraram evidências de que as pessoas que receberam a vacina de dose única da Janssen podem precisar de uma dose de reforço para uma proteção mais robusta contra novas variantes do coronavírus, incluindo a Lambda. O estudo foi feito em laboratório e não reflete os efeitos da vacina no mundo real. A pesquisa foi publicada online no formato preprint, o que significa que não foi sujeito a uma cuidadosa revisão por pares.
Nathaniel Landau, da Escola de Medicina Grossman, da Universidade de Nova York, e seus colegas disseram que os testes de sangue coletados de voluntários vacinados mostram que pelo menos algumas das novas variantes emergentes podem escapar da proteção oferecida por uma única dose da vacina da Janssen. Um reforço de uma segunda dose da vacina, ou mesmo dos imunizantes da Moderna ou da Pfizer, pode ajudar, relataram os pesquisadores.
No estudo, as variantes Beta, Delta, Delta plus e Lambda mostraram uma resistência "modesta" contra anticorpos produzidos pelas vacinas da Pfizer e da Moderna, sugerindo que as vacinas ainda funcionam.
Outro artigo preprint, publicado na semana passada, mostrou com base em experimentos de laboratório que três mutações - chamadas de RSYLTPGD246-253N, 260 L452Q e F490S - encontradas na proteína Spike da variante Lambda podem conferir resistência à imunidade induzida por vacinas. No entanto, mais pesquisas são necessárias. O artigo, de autoria de cientistas do Japão, ainda não foi publicado em uma revista com revisão por pares.
“São necessários extensos estudos de vigilância genômica para avaliar como a eficácia das vacinas é afetada pela variante Lambda”, escreveu a farmacêutica e epidemiologista Ravina Kullar, que é especialista da Infectious Diseases Society of America
Até que os casos de Covid-19 diminuam em geral, "a melhor maneira de prevenir o surgimento de mais variantes é vacinar-se totalmente, não fazer viagens internacionais e seguir medidas rígidas de prevenção da infecção, incluindo o uso de máscara, distanciamento físico de outras pessoas e não comparecimento a grandes eventos sociais".