Setembro foi escolhido como o mês da conscientização sobre a prevenção ao suicídio. O mês já acabou, a necessidade de reforçar o debate a toda sociedade deve seguido durante todos os meses do ano.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que no mundo, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, sendo a quarta maior causa de mortes de jovens de 15 a 29 anos de idade.

A depressão pode gerar condições para que uma pessoa a padrões suicidas, por conta disso é importante estarmos atentos em um parente, um amigo que está passando por dificuldades, sejam elas as mais variadas possíveis. 
O dia 10 de outubro é marcado como a data mundial da Saúde Mental, o dia é internacional e traz reflexões sobre a importância dialogar sobre questões ligadas ao emocional de cada um.

Falar sobre questões pessoais nem sempre é fácil, nem sempre é possível contar com um amigo próximo para dialogar, seja por vergonha de julgamento ou por não achar a pessoa neutra para ouvir. É ai que fica ainda mais evidente a necessidade de procurar uma ajuda profissional, com um psicólogo. O profissional, baseado na ciência, vai auxiliar a pessoa sem entrar em questões politicais ou religiosas, sem ter qualquer julgamento prévio. 

A psicoterapia analítica, Lia Rodrigues Alcaraz, explica que existe ainda uma grande resistência das pessoas em procurar ajuda profissional. "Por mais que a gente tenha uma pessoa muito querida e próxima, o julgamento vem internamente e surge a pergunta, o que a pessoa vai pensar? O psicólogo vem para oferecer uma ajuda a parte. As pessoas não entendem ainda, o psicólogo vem para dar um auxilio e organizar os pensamentos que a pessoa vem tendo, em relação a ela mesma, em relação de família, ao trabalho, as dificuldades e em certos momentos na busca da felicidade também.", explica. 

Lia , que também especialista em luto terapia, explica que é importante entendermos nossos sentimentos e também ter um olhar pelo amigo ou parente. Todos estão suscetíveis a dias bons e ruins, dias em de maior tristeza ou maior felicidade. "É preciso analisar os sintomas, eles ocorrem de maneira continua ou pontual? A depressão ela se alonga por um período maior, se ver que a pessoa não evolui, não melhora, vê que os pensamento são os mesmos, vê que a pessoa não está conseguindo, é a hora que abordar, para que ela melhore.", explica.

Mas para que essa abordagem seja a mais sutil possível e tenha um resultado favorável, é necessário um conversa amiga. "Não adianta chegar na pessoa e falar: - olha você precisa mudar, melhorar. Ela não consegue, a pessoa tem um sentimento de incapacidade muito grande, não é porque ela tem preguiça, não é por ser irritada, ou preguiçosa. Ninguém obriga ninguém a fazer terapia, então a pessoa em depressão  não tem forças pra ir, não vê motivos e nem razão para seguir. É importante verificar o que está acontecendo com mais frequência, orientamos a psicoterapia. Mas nem sempre imediato a pessoa vai aceitar.", disse.

Durante o suporte, é importante fazer com que a pessoa entenda o tempo dos sintomas, pensamentos negativos e há quanto tempo isso não evolui. "É importante a pessoa também reconhecer que precisa de ajuda. Em muitos momentos a pessoa não percebe, ela simplesmente está vivendo e sentido, sem saber que está o que está acontecendo. O amigo, o familiar precisa oferecer ajuda, mostrar que está ali para ajudar e aos poucos mostrar que a pessoa precisa ter força para buscar uma terapia.", salienta.

Muito além da tristeza, falta de ânimo, baixa autoestima, a depressão também pode afetar a higiene pessoal da pessoa. "As vezes a pessoa não toma banho, acaba também não cuidando da casa onde ela mora. A pessoa depressiva simplesmente não consegue fazer.", disse

A psicóloga explica que existem vários níveis de depressão, como o caso de depressão leve e profunda. No caso da leve, em muitos casos a pessoa consegue perceber e procurar ajuda, já a profunda é um caso que requer mais atenção, já a pessoa está tão abatida que nem consegue levar levantar da cama, querendo apenas dormir. 

"A depressão é um mecanismo de defesa do corpo, precisa que a pessoa pare e olhe para as suas coisas, e ai se não vê, chega a depressão. Obrigatoriamente você para, porque não consegue fazer as coisas normalmente.", explica.

Nem todo depressivo pode chegar a cometer o suicídio. "Para a pessoa cometer um suicídio, naquele momento ela não está depressiva naquele momento, na depressão ela está sem forças e o suicida tem oscilações, hora está muito triste, hora muito eufórico. Pra ele cometer o suicídio precisa estar muito mal, para achar que aquilo é a solução, ela está tentando resolver alguma coisa, o depressivo não quer resolver, não tem forças.", explica.

Lia explica que a faixa etária mais propensa a desenvolver  depressão, está entre pessoas de 15 anos a 25, já que é uma fase que pega a adolescência até o inicio da fase adulta. "Hoje em dia é a faixa etária que mais acontece aqui no Brasil, isso muda de acordo com a cultura e país. Pode estar muito ligado com a frustação, tem muitos momentos em que a pessoa não tem uma estrutura mental fortalecida. Com as frustações do dia a dia, do trabalho ou mesmo corporal, acaba não tento força para aguentar, ai a depressão vem pra regular isso." explica.