Saúde
"Não há necessidade de pânico", diz Ronaldo Queiroz sobre variante
O especialista afirma que cepa da Covid-19 sofreu mais de 50 mutações e tem "maior transmissibilidade"
Descoberta a pouco tempo no sul da África, a nova cepa da Covid-19, a Ômicron ainda está em fase inicial de estudos. "É uma cepa descrita e anunciada como variante de preocupação", evidenciou o conceituado pneumologista da capital, Ronaldo Queiroz.
De acordo com o profissional da saúde, agora é preciso muita cautela e não há necessidade de pânico. "O que parece nas primeiras informações é que a variante teria sofrido mais de 50 mutações no seu sequenciamento genético e isso levaria a uma maior transmissibilidade com risco maior que a Delta que hoje prevalece no Brasil", afirmou Ronaldo.
"Não se sabe se ela pode ter maior letalidade, se ela pode provocar mais doenças graves, internações e mortes", o médico citou um caso recente de infecção do Ômicron na Bélgica. "Há poucos dias uma jovem contaminada evoluiu bem no tratamento, teve um quadro leve, apenas um caso".
Ao ser questionado se, por ser mais transmissível a Ômicron é mais letal, o médico fez um paralelo da variante com a Delta e a P.1 (Gamma) oriunda de Manaus. "Tivemos no primeiro semestre a gamma com uma letalidade enorme, e agora ao contrário do que vimos no primeiro semestre com muitos casos de óbitos e internações em terapia intensiva, estamos observando uma queda significativa, pois, pelo fato de a Delta ser mais transmissível que a gamma, ela predominou no Brasil, porém provocando reações menos graves"
"Tudo indica que a Ômicron não teria a mesma agressividade e não provocaria quadros graves", entretanto, ele ressalta que ainda são estudos muito recentes, porque a cepa surgiu há poucos dias.
A hipótese da variante ser mais transmissível vem da mutação genética, porém, a possobilidade de ser menos agressiva vem de estudos de doenças virais em que quanto mais mutações e variações o vírus sofre, menos agressivo ele se transforma. "É uma hipótese que esperamos que seja realidade".
O mais importante é garantir o acesso da população a uma assistência médica especializada. "A Covid tem basicamente duas fases. A fase viral ou duplicações virais nos primeiro dois a cinco dias, e depois a fase inflamatória, onde a gente trata para evitar a pneumonia e uma possível trombose. "Por isso na fase inicial deve-se fazer o diagnóstico o mais rápido possível, com testes rápidos de pesquisa de antígeno e o padrão ouro (RT-PCR)".
Ronaldo também comentou sobre a medida que proíbe a entrada de viajantes oriundos do sul da África no Brasil. "É uma medida bastante discutível, porém cautelar, da mesma forma quando no primeiro semestre surgiu a variante de Manaus e vários países bloquearam a viagem de brasileiros para evitar a disseminação. A ação gerou resultados para eles que não tiveram essa proliferação e saltaram direto para cepa Delta" comentou.
Para Ronaldo, independente da variante, precisamos continuar com os cuidados. Ele aponta que a vacinação que é fundamental, não é milagrosa e serve para diminuir a chance de contrair a doença e evitar que ela seja adquirida de forma agressiva.
"As medidas de segurança complementares são fundamentais, como o uso de máscara e distanciamento social e evitar aglomeração em ambientes fechados".
O que leva a discussão sobre a realização do Carnaval 2022, que segundo Ronaldo poderia ser adiado em até três meses. "O Carnaval é uma aglomeração gigante, as pessoas estão cansadas do confinamento e percebemos isso com a aproximação das festividades de final do ano e Carnaval. A população observa que já são cerca de 158 milhões de vacinados e 22 milhões de pessoas que foram infectadas e agora estão imunes, mas mesmo assim não é o momento de promover um evento em larga escala como o Carnaval".
Ele finaliza falando sobre a possibilidade de uma explosão de transmissibilidade do vírus independente da cepa, caso haja o evento, e que precisamos ter maior controle sobre a doença e mais informações sobre a nova variante que pode acabar chegando ao Brasil por outras vias."Acho que falta pouco", afirmou. Falta pouco para podermos passar de vez pela pandemia e nos encontrarmos em grandes eventos.