Saúde
Estudo aponta substância de piton como possível aliada contra obesidade
Testes em camundongos indicam perda de peso sem impacto na atividade ou ingestão de nutrientes
Uma molécula identificada no sistema digestivo de pítons pode abrir caminho para novos tratamentos contra a obesidade, segundo estudo publicado na Nature. A pesquisa aponta que a substância tem potencial para reduzir o apetite em mamíferos, com resultados promissores em testes realizados com camundongos.
Os experimentos indicaram que a aplicação contínua da molécula levou a uma redução de 9% no peso corporal dos animais, sem efeitos colaterais aparentes. De acordo com os pesquisadores, o tratamento não alterou a ingestão de água, os níveis de atividade física nem o gasto energético dos roedores.
O estudo analisou diferenças entre os padrões de alimentação de mamíferos e pítons. Enquanto camundongos se alimentam com frequência, as serpentes conseguem permanecer entre 12 e 18 meses em jejum. Essa adaptação extrema foi fundamental para investigar mecanismos naturais de controle do apetite e metabolismo.
Após a alimentação, as pítons apresentaram aumento de cerca de mil vezes nos níveis de pTOS (para-tiramina-O-sulfato), molécula associada à saciedade. Também foi observado um crescimento superior a 40 vezes no gasto energético desses animais no período pós-prandial, medido duas horas após a ingestão de alimentos.
Embora a substância também esteja presente em mamíferos, sua atuação ocorre em menor escala. Ainda assim, os resultados sugerem que a pTOS pode influenciar a regulação hormonal ligada ao controle da fome, sem comprometer a absorção de nutrientes como glicose, lipídios e proteínas.