O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nesta quinta-feira (6) se é válida uma condenação contra uma reportagem que divulgou a prisão preventiva de um policial militar acusado de praticar os crimes de homicídio e fraude processual.

O processo teve origem no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), que condenou a empresa responsável pela reportagem ao pagamento de R$ 15 mil em indenização por danos morais ao policial. A decisão também determinou a exclusão das reportagens.

O caso envolve a ação Rádio e Televisão Iguaçu S.A. contra o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR). A emissora questiona decisão da 8ª Câmara Cível do TJ-PR, que atribuiu responsabilidade civil à empresa e determinou o pagamento da indenização a um cidadão pela divulgação de uma reportagem considerada vexatória.

O colegiado do STF vai analisar se o entendimento de que a reportagem ultrapassou os limites do direito à informação contraria decisões tomadas nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 6792 e 7055, nas quais o Tribunal estabeleceu regras contra o assédio judicial a jornalistas e órgãos de imprensa.

A empresa defende que a notícia não era falsa e que as críticas realizadas não eram infundadas. Segundo a emissora, na época da publicação, a denúncia contra o policial já havia sido recebida pelo juízo criminal e apontava os fatos a ele atribuídos, com base em laudos periciais e imagens apresentados pelo Ministério Público.

A Rádio e Televisão Iguaçu S.A. também afirma que não agiu com má-fé, dolo ou culpa grave, argumentando que a reportagem foi produzida a partir de atos praticados por autoridades com fé pública, como a prisão preventiva.

A empresa sustenta ainda que a condenação da imprensa por divulgar fatos e criticar um agente público preso preventivamente representa cerceamento da atividade jornalística, efeito resfriador do debate político e violação de princípios democráticos.

A emissora pediu, em caráter liminar, a suspensão do processo e, no mérito, a cassação da decisão questionada. O caso está sob relatoria do ministro Edson Fachin.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.