Esportes
Dia do Corre transforma segunda-feira em encontro para quem quer correr
Movimento que começou com 350 pessoas na Esplanada Ferroviária já reúne cerca de 2 mil participantes por edição e aposta na corrida sem competição
Não é preciso inscrição, pagar taxa, disputar colocação ou sequer se preocupar com o tempo. Basta calçar o tênis, chegar ao ponto de encontro e correr. Foi com essa proposta que nasceu o Dia do Corre, movimento de corrida de rua que vem ganhando espaço em Campo Grande e transformando as noites de segunda-feira em um encontro entre corredores, iniciantes e pessoas que simplesmente querem começar a praticar uma atividade física.
A ideia surgiu depois que o corredor amador Eriberto Frozza conheceu um movimento semelhante em Minas Gerais. A experiência chamou sua atenção e ele convidou o comunicador Átilla Eugênio, que trabalha com corridas no Estado, para criar uma iniciativa parecida em Campo Grande. A designer Camila Ferreira passou a integrar o grupo, enquanto Sandra Flores, esposa de Eriberto, assumiu as áreas musical e financeira. Posteriormente, Jacson Freitas entrou para atuar na estratégia comercial.
A primeira edição aconteceu em 20 de outubro de 2025, na Esplanada Ferroviária, reunindo aproximadamente 350 pessoas. O percurso de cinco quilômetros foi pensado para ser acessível, com todos largando e chegando juntos. A proposta, desde o início, era justamente deixar a competição de lado.
“Todos largaram e chegaram juntos por um percurso acessível a todos de cinco quilômetros”, explica Átilla, fundador e diretor executivo do Dia do Corre. Segundo ele, a ideia era criar um ambiente no qual as pessoas pudessem correr pela própria essência da modalidade, sem a preocupação com ritmo, tempo ou com quem chegaria primeiro.
A fórmula encontrou espaço entre os campo-grandenses. Em menos de um ano, o público médio chegou a cerca de 2 mil participantes por edição. O crescimento também levou o movimento a diferentes regiões da cidade. A cada encontro, um novo ponto de Campo Grande recebe o pelotão, numa tentativa de ocupar espaços e apresentar aos corredores locais diferentes cenários para a prática esportiva.
Para Átilla, parte desse crescimento está justamente na facilidade de começar. “É colocar um tênis e correr”, resume. No DDC, não há cobrança nem necessidade de inscrição. Quem ainda não corre também encontra espaço para participar no próprio ritmo, podendo caminhar, trotar ou correr.
Essa característica faz com que o movimento reúna públicos diferentes. Há quem já tenha experiência com a modalidade e aproveite o encontro pelo ambiente descontraído, enquanto iniciantes encontram uma porta de entrada para o esporte. A proposta também não busca concorrer com as tradicionais provas realizadas aos finais de semana.
“O dia mundial de iniciar uma atividade física é segunda”, explica Átilla. A escolha do dia da semana, portanto, acompanha justamente a ideia de começar uma nova rotina. O DDC acontece mensalmente às segundas-feiras, com possibilidade de edições especiais ao longo do mês.
Além da corrida, o encontro ganhou elementos próprios. O Paredão DDC, comandado pelo DJ Panda, anima o percurso, enquanto o DJ Seballo atua na pista. Ao final, os participantes ainda encontram praça de alimentação com feirantes locais, sorteios e atrações de marcas parceiras.
A estrutura também depende de uma rede de apoio. Desde a primeira edição, o movimento conta com participação da Agência Municipal de Transporte e Trânsito, Guarda Civil Metropolitana e Polícia Militar. Batedores voluntários auxiliam no fechamento de vias, organização do fluxo e orientação dos corredores. O atendimento de emergência é acompanhado por ambulância disponibilizada pela Qualisalva, enquanto Águas Guariroba participa com a hidratação e a Solurb fornece lixeiras para as edições.
O crescimento do DDC acompanha uma expansão da própria corrida de rua, modalidade que tem atraído cada vez mais pessoas pela possibilidade de começar com poucos recursos e evoluir gradualmente. Para Átilla, a proposta do movimento é justamente diminuir a distância entre quem tem vontade de correr e quem ainda não deu o primeiro passo.
Em setembro, o Dia do Corre chegou à 12ª edição. Em outubro, o movimento completa um ano e prepara uma edição especial, mantendo a estrutura que ajudou a criar sua identidade, mas com novos momentos de celebração.
“Se permita viver o Dia do Corre. Vá, experimente, ande, se conseguir corra, ande novamente, trote, mas vá”, aconselha Átilla. Para ele, o movimento representa uma oportunidade para transformar a vontade de começar em prática e contribuir para uma Campo Grande mais ativa.