O ambulatório de feridas do Hospital Regional Rosa Pedrossian (HRMS) está revolucionando atendimentos e gerando economia aos cofres públicos. O tratamento inédito no Brasil, lançado em 2015, no início da gestão do governador Reinaldo Azambuja e do diretor-presidente do HRMS, Justiniano Vavas, atende em média 30 pacientes por dia. Além de disponibilizar curativos de alta tecnologia à população sul-mato-grossense, a prática gera redução dos custos de internação.

À frente do setor, a enfermeira Juliana Corrente da Silva, conta que o ambulatório de feriadas possuía a autorização, mas não havia profissionais para concretizar o sonho. Conta que os estudos sobre redução de custos foram determinantes para a instalação do ambulatório de feridas. Isso porque os curativos de alta tecnologia custam, em média, três vezes menos que manter o paciente internado no hospital.

“Não houve aumento nos custos, apenas mudou a clínica. Nós já entramos com a medicação para não desenvolver lesões e os que chegam com as lesões são tratados e recebem a cura por aqui. Para você ter uma ideia, nosso setor já curou lesões de 30 anos. Antes mulheres com deiscência (abertura espontânea de suturas cirúrgicas) de pós-parto ficavam internadas três meses na maternidade. Hoje isso não existe mais. Temos a comissão de curativos do hospital, a gente discute casos, discute com os médicos. Economizamos, inclusive, com o uso de antibióticos porque temos curativos de alta complexidade mundial, padronizado aqui no Hospital Regional. O que se gastava no tratamento agora se investe em prevenção”, destaca.

Alta tecnologia e a desospitalização

Entre as principais vantagens do tratamento com curativos de alta tecnologia está a redução de custos e a desospitalização de pacientes. Dados do HRMS revelam que um paciente internado tem custo médio geral diário de 701,52. Se internado em uma UTI custa R$ 1.269,82/dia; internação cirúrgica R$ 634,70/dia; internação clínica R$ 542,20/dia; internação oncológica R$ 359,36/dia.

De acordo com a enfermeira Juliana, um acidente ofídico (picada de serpentes peçonhentas), por exemplo, tem custo estimado de internação para tratamento, por um período médio de 20 dias, avaliado em R$ 12.694,00. Com o tratamento por curativos o valor reduz para R$ 1.960,40, no período de 45 dias, o que representa uma economia de R$ 10.733,60.

Trabalho inédito

O HRMS já é referência nacional em tratamento de feridas. Juliana Corrente diz que aliado à economia, os índices de cura são de quase 100%. “Não existe no País o trabalho que nós fazemos aqui, é inédito. Eu participo de um fórum nacional com 30 enfermeiros e eles ficaram encantados com as técnicas que utilizamos no nosso ambulatório. No começo deste ano o serviço cresceu consideravelmente. Conseguimos um médico para integrar nossa equipe. Várias empresas nacionais e internacionais começaram a oferecer produtos. Estamos testando agora uma nova terapia a vácuo que se der certo vamos padronizar. Então, temos muito orgulho do trabalho que desenvolvemos”, afirma.

O ambulatório de feriadas atende em média 30 pacientes por dia ou 900 por mês. O hospital conta com médicos em todas as especialidades: neurologia, vascular, pediatria, cirurgia plástica, entre outras. Para explicar como se dá o processo de cura com a desospitalização, Juliana dá como exemplo o tratamento de erisipela – doença infecciosa aguda, causada por estreptococos, caracterizada por uma inflamação da pele.

Djalma Alves Torres, 57 anos, realizou uma cirurgia para retirada de um tumor. Para ele o processo de desospitalização tem sido benéfico. “Passei por um problema de saúde muito sério. Minha cirurgia abriu e estou fazendo todo tratamento por aqui. A equipe tem sido muito solícita, estou sendo bem atendido e tenho expectativa de melhorar. Fiz todo o tratamento de câncer pelo Hospital Regional e estou confiando que tudo vai dar certo. Só de não ficar no hospital e poder ter o apoio de toda minha família já é uma vitória”, declara.

A médica e cirurgiã vascular, Samira Omais, tem diversos pacientes sendo tratados pelo ambulatório de curativos. “Sou apoiadora desse setor. Melhorou muito a desospitalização. Nós médicos, ficamos mais tranquilos sabendo que o paciente está sendo tratado por especialistas. Além disso, aqui a gente sempre está pertinho, conversando, damos apoio sobre os tipos de ferida, como tratar”, pontua.