Polícia
Caso Lívia: delegada diz que organização criminosa transformava meninas em 'escravas virtuais'
A delegada informou que os criminosos também intimidavam familiares
A investigação da Operação Lívia revelou que a organização criminosa responsável por manipular adolescentes na internet tinha como principal alvo meninas, submetidas a um ciclo de ameaças, controle psicológico e violência. Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (6), a delegada Anne Karine Trevizan, titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente), afirmou que as vítimas eram transformadas em "escravas virtuais".
Segundo a delegada, a organização recrutava adolescentes por meio de perfis falsos nas redes sociais e utilizava técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas. Após essa aproximação, os criminosos passavam a controlar a rotina das adolescentes por meio de intimidação e manipulação. "No caso da Lívia em si, nós podemos falar que existem escravos virtuais, e isso acontece principalmente com as meninas", declarou.
Anne Karine explicou que os integrantes levantavam informações sobre familiares, escola e rotina das vítimas apenas com dados disponíveis na internet. Em seguida, criavam uma relação de confiança utilizando identidades falsas até estabelecer um vínculo de dependência emocional. "Ela foi manipulada, porque eles vão usando esses recursos e, diante disso, pressionada", afirmou.
De acordo com a investigação, as ameaças não se restringiam às vítimas. A delegada informou que os criminosos também intimidavam familiares e utilizavam a exposição de dados pessoais como forma de ampliar o medo. "Ela tinha sido doxada por esses adolescentes. Isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas a família dela. Ela acabou tirando a vida diante de toda essa pressão", disse.
Questionada sobre o perfil das vítimas, Anne Karine foi categórica ao afirmar que os casos identificados pela investigação envolvem principalmente meninas. Para ela, o fenômeno está ligado à violência de gênero praticada dentro desses grupos criminosos. "As vítimas são meninas. É escravidão contra essas meninas", afirmou durante a coletiva.
A delegada ressaltou ainda que o recrutamento pode ocorrer em qualquer rede social utilizada por crianças e adolescentes. Segundo ela, os criminosos não dependem de plataformas específicas para encontrar vítimas, bastando que consigam estabelecer contato e iniciar a manipulação. "Entrou no ambiente virtual sem supervisão dos pais, a chance é muito grande", alertou.
Como forma de prevenção, Anne Karine orientou pais e responsáveis a acompanharem de perto a atividade digital dos filhos, utilizando ferramentas de controle parental e monitorando os conteúdos acessados. Ela reforçou que a supervisão é uma medida de proteção e não uma invasão de privacidade. "As crianças e adolescentes precisam ter controle parental. Eles são seres em formação e os pais precisam ser responsáveis por eles", concluiu.