Política
Alcolumbre articula perdão a Bolsonaro em troca de apoio para comandar Senado
Presidente do Senado busca apoio da direita para reeleição em 2027 e quer reduzir pressão contra ministros do STF
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretende negociar um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio da direita à sua reeleição para o comando da Casa, em 2027. Segundo dois aliados, a proposta também busca reduzir a pressão pelo impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
O plano é negociar com o presidente Lula (PT) um indulto humanitário a Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 por participação na tentativa de golpe de Estado. Caso Lula não aceite, Alcolumbre pretende trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso.
A ideia é envolver os três Poderes em um acordo de pacificação após a eleição presidencial. Em troca do perdão, Alcolumbre quer que a direita deixe de pressionar pelo afastamento de ministros do STF, principalmente Alexandre de Moraes.
Aliados também defendem que uma eventual anistia tenha efeitos apenas criminais, sem devolver a Bolsonaro o direito de disputar eleições. Atualmente, o ex-presidente está inelegível até pelo menos 2060.
A articulação ocorre em meio à disputa pela presidência do Senado. Alcolumbre enfrenta os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que apostam no crescimento da bancada de direita para conquistar o comando da Casa.
Dos 81 senadores da próxima legislatura, pelo menos 49 defendem o impeachment de ministros do STF, embora sejam necessários 54 votos para aprovar o afastamento.