O Laboratório de Inovação na Atenção Primária à Saúde (Lab Inovaaps), que teve início de forma pioneira em Campo Grande, busca aplicar conhecimentos desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no dia a dia das equipes de Saúde da Família de uma grande cidade.

Criado em 2019, o projeto do laboratório levou à frente a criação de dois tipos de residência na cidade: Medicina de Família e Comunidade e Residência Multiprofissional. O principal desafio era dar sustentabilidade ao programa Saúde da Família em Campo Grande, formando quarenta médicos de família e comunidade, sendo que, até então, formavam-se em média seis desses profissionais.

O concurso foi realizado no início de 2020, em uma parceria entre a Fiocruz e a Sesau, e os residentes foram distribuídos em nove unidades de saúde. Para o trabalho de supervisão dos residentes, o programa conta com preceptores na orientação e acompanhamento dos alunos durante o processo formativo. 

Essa residência multiprofissional já é a terceira maior em Saúde da Família do país. Contando com 76 residentes, sendo 33 de Enfermagem, 12 de Odontologia, 12 de Farmácia, seis de Fisioterapia, seis de Serviço Social, cinco de Educação Física e dois de Psicologia.

Integra também o projeto um componente que se mostrou essencial durante a pandemia de Covid-19: a teleinfectologia, um atendimento voltado aos profissionais da atenção primária, oferecido ao longo de todo o ano de 2020. Os profissionais puderam tirar dúvidas com infectologistas da Fiocruz remotamente, 24 horas por dia. Já os pacientes contam com um sistema de teleconsulta com infectologistas, quando necessário. 

O projeto inclui ainda outras estratégias de inovação em parceria com a Sesau, já utilizadas em municípios como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis. Alguns dos produtos desenvolvidos nesse sentido foram: Carteira Básica de Serviços disponíveis nas unidades de saúde; Caderneta do Usuário, para auxiliar a comunicação entre usuário e unidade de saúde; catálogo de especificações de mobiliário, para padronizar mobiliários e equipamentos necessários nas unidades; manual de ambiência e outros materiais de comunicação institucional.

Outro componente importante é o Observatório de Tecnologia, Informação e Comunicação (Otics Campo Grande), que realizou duas pesquisas: a PCATool, que avaliou os atributos da atenção primária, ouvindo os usuários do sistema de saúde em Campo Grande, e a pesquisa de opinião com os profissionais das unidades de atenção primária.    

As iniciativas implantadas com base em experiências e somadas ao conhecimento dos dados locais permitem realizar um planejamento específico para as ações.