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Entrevista: “Vou ser o xerife de Campo Grande”, afirma Coronel David

16 julho 2016 - 12h57

O deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campo Grande, Carlos Alberto David dos Santos, o Coronel David, pretende utilizar os conhecimentos que adquiriu dentro da Polícia Militar para melhorar a segurança pública da capital. Além disso, acredita que saúde e educação estão entre as prioridades da população. Ele ainda planeja realizar uma reestruturação na prefeitura, pois diversos órgãos não prestam atendimento de qualidade e, por isso, há hoje poucos investimentos na cidade. O deputado fala também sobre o apoio do polêmico deputado federal Jair Bolsonaro. Confira:

 

Jornal de Domingo – O senhor está preparado para ser prefeito?

Coronel David – Sim. Eu tenho uma experiência de mais de 30 anos como servidor de carreira dentro da Polícia Militar e exercia funções atinentes ao Poder Executivo. Essa experiência toda que acumulei me dá com certeza o conhecimento necessário para administrar Campo Grande e minha pré-candidatura surgiu do meu ingresso no PSC e pelas qualidades que o partido viu na minha pessoa, pela experiência adquirida ao longo do tempo, me escolheram para ser o pré-candidato aqui em Campo Grande e hoje encaro esse desafio com a demonstração inequívoca  da capacidade que tenho de administrar a capital.

Jornal de Domingo – Se o senhor tomasse posse agora, quais seriam suas primeiras medidas?

Coronel David – Certamente na saúde e iria fazer uma reestruturação dentro da prefeitura. Falo da saúde porque hoje é a maior necessidade do povo campo-grandense e isso demonstra que, não só na saúde, o atual prefeito não apresenta proximidade com a gestão pública. Hoje, o grande obstáculo para uma boa saúde não depende só de estruturação física, porque em outras administrações, pela facilidade em viabilizar recursos do Ministério da Saúde para construção de unidades de saúde, a capital conseguiu realizar vários projetos. Estudos que fazemos com profissionais da área nos indicam que o problema não é a estrutura física, mas a falta de um bom atendimento e há razões para isso. Os médicos hoje se sentem desprestigiados na função que exercem, não só pela falta de condições dentro das unidades de saúde, mas pela falta de atrativo para o exercício da profissão, o que advém de um melhor salário. Pretendemos fazer um Plano de Cargos e Carreiras para os médicos e outros profissionais da saúde, que será fundamentado na produtividade e na qualidade do atendimento. Isso é algo que julgamos imprescindível para se ter uma saúde de qualidade. Além disso, temos intenção de desafogar alguns atendimentos que não são feitos e resultam em filas. Entendemos que Campo Grande precisa de uma unidade hospitalar para cirurgias eletivas. Outra questão é privilegiarmos os médicos clínicos gerais. 

Jornal de Domingo – E como seria a reestruturação da prefeitura?

Coronel David – Temos dentro da prefeitura diversos órgãos que não prestam serviço de qualidade para o cidadão e o julgamento que as pessoas fazem a respeito da administração demonstra isso. Há necessidade de mudarmos o foco para melhorarmos os atendimentos e darmos celeridade aos procedimentos. Por exemplo, na Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, não se pode levar quase um ano para aprovar um projeto, que vai trazer divisas para a cidade por meio de cobranças de ISS. Cada vez que temos a demora e paralisação desse tipo de serviço, aquela pessoa que quer realizar algum tipo de investimento em Campo Grande deixa de investir e a prefeitura não arrecada. Esse dinheiro faz falta mês a mês para o pagamento de funcionários, que são investimentos necessários e hoje vemos uma cidade parada, sem futuro, por conta de uma administração incompetente. 

Jornal de Domingo – A questão crucial aos olhos da opinião pública é a falta de manutenção da cidade, que principalmente está com as ruas esburacadas. Como você vê isso?

Coronel David – Há necessidade de a prefeitura realizar um trabalho de reestruturação. No passado, a secretaria de Infraestrutura foi destituída de funcionários de carreira e de equipamentos e bens que eram utilizados pela prefeitura para realizar alguns tipos de trabalho, até de forma preventiva, como tapar os buracos nas ruas. Numa administração não tão distante, venderam todo o maquinário, acabaram com as equipes dentro da secretaria e passaram a fazer licitação para contratação de empresas. Na verdade, grande parte das vias precisa de algo que, entre profissionais da área, se chama “requalificação das vias” e é o que pretendemos fazer em alta escala a fim de recuperar a lama asfáltica que já foi colocada.

Jornal de Domingo – Campo Grande tem aumento nos índices de violência. O senhor, que tem experiência na área da segurança pública, pretende fazer o quê com relação a isso?

Coronel David – Tenho o seguinte posicionamento: o prefeito pode e deve fazer muito pela segurança pública. Hoje, a maior parte dos habitantes está dentro do município e não há como o prefeito virar as costas para esse problema. Então, além de reestruturar e dinamizar os serviços da Guarda Municipal, pretendemos utilizar os conhecimentos que temos na segurança pública e é por isso que acredito que sou a pessoa mais preparada dentre os pré-candidatos para revolucionar o setor de segurança em Campo Grande e tornar a cidade uma das mais seguras do Brasil, porque ela vai ter um prefeito que entende do assunto e sabe onde aplicar os recursos. Além da Guarda Municipal e do Plano de Cargos e Carreiras da categoria, quero envolver os órgãos de segurança pública do Estado, como PM, Polícia Civil  Corpo de Bombeiros, por meio da atividade delegada, algo que tem em São Paulo. Muitas atividades do município têm a proteção das equipes do Estado com a contrapartida de recursos do município. Também há investimentos que podem ser feitos pelo prefeito para dinamizar o registro das ocorrências e melhorar a prevenção feita pelos órgãos do Estado. Vou ser o xerife de Campo Grande. Além disso, achamos fundamental um Centro de Especialidades Médicas para Crianças, o que hoje não temos. Também vejo a educação como outra prioridade e venho me reunindo com profissionais da área, que retratam, sem exceção, a decepção com o atual mandatário por não ter cumprido o acordo do piso com os professores, algo que já reafirmamos o compromisso de realmente fazer. E elaborar esse plano de cargos e carreiras dentro da produtividade, da qualidade, mas principalmente com a minha experiência em segurança pública, queremos dar um basta num problema que hoje afeta todas as escolas municipais: a questão da violência contra o professor e violência de aluno contra aluno. Já temos um plano feito que trata de como lidar com a violência dentro das escolas. É algo que venho discutindo com professores. Pretendemos manter a direção da escola com quem entende disso, que são os diretores e professores, mas na questão da disciplina, levaríamos profissionais militares da reserva para dentro das escolas, onde os alunos teriam aula de disciplina, de moral e civismo, de educação para que eles possam desenvolver disciplina para o estudo. Não tenho dúvida de que isso vai melhorar o desempenho e aprendizagem dos alunos. Então, vamos acabar com a violência nas escolas, melhorar a capacidade dos alunos na percepção de ordem e disciplina e vamos melhorar o aprendizado dos alunos, elevando os números no Ideb. 

Jornal de Domingo – Como o senhor avalia a gestão Bernal?

Coronel David – Péssima. Não tem administração. Se teve algum dia, ela já deixou de existir. 

Jornal de Domingo – Recentemente o senhor denunciou o “sumiço” de quase R$ 110 milhões da previdência. Como está esse caso?

Coronel David – É importante ressaltar que a denúncia veio a partir de estudos que estamos fazendo sobre a administração pública municipal. O que estamos vendo são números, orçamentos, onde estão os principais problemas para apontarmos possíveis soluções. Diante desses estudos, descobrimos o rombo observando apenas os documentos publicados no Diário Oficial de Campo Grande, que nos deu a informação de que daquele dinheiro, sumiram misteriosamente R$ 109 milhões. Como estou me pré-candidatando a ser prefeito de Campo Grande, ser responsável pelos destinos da cidade e pelo destino dos milhares de servidores públicos municipais e sabendo de algo tão importante para os servidores que já se aposentaram e precisam desse dinheiro, achamos por bem denunciar o problema não só à sociedade, mas principalmente aos órgãos de controle e fiscalização para realmente descobrir onde está o dinheiro, que é uma quantia considerável e que vai fazer falta, sim, aos servidores municipais que dependem do caixa do IMPCG para receber aposentadorias e pensões. Fiz o que deveria ter sido feito há muito tempo. Denunciei ao MP e ao TCE. Já recebi informação do procurador-geral de Justiça que foi instaurado um inquérito para apurar o fato e eu aguardo o desenrolar da investigação para que saibamos onde foi parar o dinheiro e quem foi o responsável por esse sumiço.

Jornal de Domingo – Ter o apoio do Bolsonaro restringe seus eleitores?

Coronel David – Não. Muito pelo contrário. Quando entrei no PSC foi na mesma época em que ele entrou, então entramos quase juntos no partido. Já tínhamos uma relação de amizade, até por eu ter sido comandante geral, ter sido presidente do Conselho dos Comandantes Gerais e ter um contato muito próximo com a bancada federal, com aqueles que representavam os militares e a segurança pública. E nós entramos no mesmo partido, o que atende as expectativas, já que eu sempre me propus a fazer na carreira política. É um partido que tem comprometimento com a família, com a moral, os bons costumes, que não está envolvido em nenhum tipo de escândalo de corrupção, igual temos outros partidos aí envolvidos. Fazer parte do mesmo partido do Bolsonaro nos trouxe apoios de pessoas que o admiram. Mas é bom estabelecer que nenhuma pessoa é igual a outra. Apesar de ter o maior respeito por ele e saber que veio aqui dar apoio a nossa pré-candidatura, cabe a mim agora como pré-candidato a prefeito buscar apoio de outros setores da sociedade que me deem possibilidade de ir para o segundo turno e, estando no segundo turno, me eleger para a prefeitura de Campo Grande. Não tenho dúvidas de que isso vai acontecer, porque sentimos hoje uma necessidade nas pessoas em escolher candidatos que tenham experiência no trato da coisa pública, que tenham serviços prestados, mas que sejam pessoas corretas, ficha limpa, sem ter seus nomes envolvidos em escândalos, principalmente em corrupção. Vejo que meu nome, sempre que aparece empesquisas, é o menos rejeitado pela população, algo que demonstra grande crescimento na nossa candidatura. Estamos obtendo apoio quase diário de grupos representativos da sociedade, de servidores municipais, o que demonstra a confiança que eles têm no meu nome. 

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