Atuar com "rigor técnico sem seletividade, nem complacência" é um dos compromissos do novo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, que tomou posse nesta semana no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o biênio 2026–2028.

Vindo do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves destacou, em seu discurso, que a formação de um juiz não se esgota no domínio técnico do Direito. Segundo ele, é necessário que os integrantes da magistratura compreendam as desigualdades regionais e conheçam a sociedade para avaliar os efeitos concretos de suas decisões.

Para o ministro, a Justiça do futuro não será apenas mais digital, mas também deverá ser mais acessível, clara, simples, confiável e humana. "E, para atingir esse objetivo, o cargo de corregedor nacional demanda integridade, eficiência e diálogo institucional. Integridade para apurar as reclamações disciplinares com rigor técnico sem seletividade, nem complacência, sempre com observância do devido processo legal", afirmou.

Benedito Gonçalves também ressaltou a importância da atuação do juiz na comarca. Apesar dos avanços tecnológicos, pontuou que, embora a tecnologia tenha tornado o trabalho mais eficiente em vários aspectos, ela nunca poderá substituir a presença pessoal e institucional, nem afastar o magistrado da realidade local. "Por isso, lugar de juiz é na jurisdição, na comarca, no foro, na unidade judiciária e próximo à sociedade que dependa do serviço judicial", defendeu.

Benedito Gonçalves tomou posse em cerimônia realizada na sede do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na presença de ministros e autoridades do Judiciário, do Executivo e do Legislativo. Durante a solenidade, dirigiu palavras de reconhecimento ao antecessor, ministro do STJ Mauro Campbell Marques. "Assumo o compromisso de dar continuidade às políticas que produziram resultados relevantes, sem deixar de enfrentar as novas demandas impostas ao nosso Poder Judiciário", disse.

Trajetória

Durante a cerimônia, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ressaltou a contribuição do novo corregedor para a democracia brasileira ao longo de sua trajetória. Como corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Benedito Gonçalves atuou contra a desinformação e os questionamentos ao processo eleitoral brasileiro. "E Sua Excelência o fez como devem agir os magistrados: por meio dos autos, das provas, da Constituição e da Lei", declarou Fachin.

Fachin também citou outros marcos da carreira do novo corregedor, que acumula mais de cinco décadas de serviço público e 38 anos como juiz federal, especialmente na Justiça Federal fluminense, onde foi desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Em 2008, Benedito Gonçalves chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). "São 18 anos de atuação marcados pela técnica e, sobretudo, pela compreensão de que o exercício da jurisdição exige independência de espírito", destacou o presidente do CNJ.

Ao concluir seu discurso, Edson Fachin afirmou que o novo corregedor deverá atuar para proteger a independência judicial e disseminar uma cultura cada vez mais sólida de cidadania. "Seja muito bem-vindo, ministro Benedito Gonçalves. O Conselho Nacional de Justiça o recebe com alegria e confiança. Que seja um tempo fecundo para a Justiça e, sobretudo, para a democracia brasileira", concluiu.

(*) Com informações do CNJ. 

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