Passados dois meses desde que assumiu o cargo, o novo prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, começa a ter uma dimensão mais realista do tamanho dos problemas herdados da gestão de Nelsinho Trad (PMDB). Convidado a falar sobre a situação do município na seção inaugural dos trabalhos legislativos, conforme estabelece o regimento da Câmara de Vereadores,  em seu discurso o prefeito apontou algumas das mazelas, em geral fruto de falta de planejamento urbano e de inversão de prioridades sociais, que afetam o município de Campo Grande. Não muito diferente da situação em que recebemos o estado das mãos do PMDB, em 1999.

De forma resumida, o prefeito apontou os graves problemas estruturais e sociais que afetam nossa cidade morena, que, apesar da beleza natural que encanta, não podem ser mascarados, pois comprometem o bem estar da população e precisam ser encarados de frente. A deficiência no atendimento da saúde, o sucateamento da estrutura da prefeitura (prédios, equipamentos, veículos), a defasagem tecnológica dos órgãos públicos, obras paradas ou com graves problemas estruturais causando transtornos à população, a falta de unidade administrativa, a desmotivação do funcionalismo. No aspecto financeiro, foi apontada a situação de déficit, apesar da propaganda do ex-prefeito de que a prefeitura estava com as finanças em dia, que foram maquiadas para a opinião pública.

Agora, que a realidade está sendo exposta da forma como é, os ex-administradores dizem que não se pode apontar tais fatos. Querem que a cidade tenha uma amnésia coletiva, esquecendo que até ontem nos diziam que vivíamos “no melhor lugar para viver” e agora, os mesmos, dizem que “Bernal tem que parar de apontar culpados e resolver os problemas existentes”. O ranço eleitoral, a inconformidade com o resultado das urnas, que quebrou uma hegemonia de 20 anos no controle da prefeitura, se traduz agora no parlamento municipal e em outras esferas políticas, em ações destinadas claramente a inviabilizar a nova administração administrativa e politicamente, visando já 2014.

Porém a herança deixada para Bernal é a herança que o PMDB deixou para Campo Grande, e não para o prefeito. Todos os graves problemas acumulados nos últimos 20 anos precisam ser encarados de frente e de forma coletiva enfrentados. Nosso compromisso é com Campo Grande e precisamos, juntos com a prefeitura e as outras esferas administrativas (estadual e federal), construirmos uma cidade melhor. Felizmente Bernal terá no governo federal, da presidenta Dilma e do PT, um aliado na busca do melhor para Campo Grande. O ranço eleitoral será superado, pois a realidade está aí e não tem como nos furtar aos fatos.

Zeca do PT (José Orcírio Miranda dos Santos) - é vereador em Campo Grande-MS pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado estadual e governador de MS em dois mandatos.