Não sou vidente. Mas, antes da campanha, registrei neste espaço que Eduardo Riedel e Lula, embora em campos opostos, chegavam fortes e eram favoritos à reeleição. As urnas confirmaram a avaliação. O resultado deve abrir caminho à reflexão.

A eleição termina; o país continua. Vitória não autoriza arrogância, assim como derrota não justifica intolerância nem a recusa em reconhecer a vontade das urnas. Saber perder não significa abrir mão de fiscalizar, mas exigir provas. Saber ganhar não é receber um cheque em branco. O fanatismo enfraquece o debate e a convivência.

A tarefa de Lula e Riedel é transformar votos em resultados concretos, com diálogo e compromisso público. Para Mato Grosso do Sul, o diálogo com Brasília será decisivo. A retomada da UFN3, o financiamento do Rodar MS e projetos como a Malha Oeste e a hidrovia do Paraguai mostram que o desenvolvimento exige cooperação, mesmo entre governos de campos distintos. Riedel aponta prioridades sociais que em suas ações.

Lula terá de governar também para quem não votou nele. Isso exige equipe qualificada, responsabilidade fiscal e capacidade de construir consensos. O Brasil precisa crescer e melhorar a vida da população.

Governantes não são donos do poder: recebem uma missão temporária de quem trabalha, paga impostos e sustenta o Estado. A democracia não pertence a partidos ou líderes, mas ao povo. Que o fim da disputa inaugure uma agenda comum, com menos ódio e mais trabalho. Como diz o clássico de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol: “Mais fortes são os poderes do povo”.

*Bosco Martins é escritor e jornalista