Opinião
Era feliz e não sabia II
No texto anterior, escrevíamos que as pessoas têm a tendência para se acostumarem e aceitarem coisas e situações. E esse fato pode mesmo ser considerado como normal. O que não se pode, é essa comodidade se sobrepor a um raciocínio natural, sob pena de se estar sujeito a perder a dignidade. Isso é fácil de se entender, já que a população eleitoral de Campo Grande deu prova disso, ao se acostumar com o que acontecia com a nossa cidade, onde se vivia com dignidade, num clima de harmonia entre os poderes, e respeito com as comunidades de diferentes classes sociais, onde as pessoas eram felizes e não sabiam. E por ser feliz, sem se dar conta disso, a população passa então, a pensar em melhorar ainda mais, e é aí que pode ocorrer o que se passou na última eleição para prefeito.
O Prefeito anterior elegeu-se e depois, reelegeu-se, de maneira confortável, sendo que ao final de seu segundo mandato, saiu com uma avaliação positiva de mais de dois terços da população, por ter colocado a nossa Capital, entre as cidades mais bem avaliadas do Território Nacional, e o Prefeito, era mostrado pela mídia também, como um dos mais bem avaliados, à luz de pesquisas realizadas pelos mais importantes órgãos que lhe conferiam prêmios, os mais cobiçados, em função de seu desempenho, à frente da Prefeitura Municipal de Campo Grande.
Àquela altura, a população se acostumava à situação de conforto, para se tornar mais exigente, e passa então a sonhar com mudanças, na esperança de conseguir ainda mais, e aí, vem a “dar com os burros nágua”. Levado pela voz radiofônica, pela palavra fácil, o eleitor decide mudar, na esperança de dias ainda melhores para o nosso Município. E a isso não se poderia criticar, por se tratar de um comportamento louvável, já que ele caminhava no sentido de buscar ainda mais, o bem estar da coletividade. Veio então a eleição que determinou a mudança pretendida e a nova administração eleita, entrou em campo com o vigor que lhe foi conferido por uma votação expressiva. Respirava-se uma nova atmosférica e a população vivia a euforia de uma odisseia, embarcada numa aeronave que prometia uma viagem extraordinária.
Infelizmente, o combustível era pouco e ela acabou por prematuramente pousar num campo mau cuidado, esburacado, cheio de mato e sujeira. As mudanças não foram necessariamente compatíveis com os desejos da nossa gente e os prêmios agora, vieram em forma de processos, cassação e ostracismo. No lugar de obras, construíram-se palanques. No lugar de realizações e obras voltadas para o bem estar da população, passou-se à produção de desculpas, e com isso nossa linda Campo Grande se transformou num queijo suíço que passou do ponto e no vai e volta, até hoje não se saiu disso, e a nossa cidade passa a ocupar a lanterninha nas avaliações entre as capitais, mergulhando na obscuridade , onde a única coisa que aqui se passa, é o atestado de incompetência e vanidade, a si mesmo.
Alguém poderia dizer que essa acomodação poderia ser considerada uma questão cultural, mas me arrisco com certeza a dizer que não é, porque os responsáveis por esse estado de coisas por que passa a nossa Capital se valem de um manto protetor de difícil compreensão e nadam de braçada no mar do obscurantismo, em cujas águas se debatem uma grande cidade e seu povo desassistidos, onde alguns insistem em se aprofundar. Resta ainda afirmar que essa situação se tornaria incompreensível já que Campo Grande é a Capital de um Estado cujo Governo vem sendo admiravelmente bem avaliado, e assim sendo restta a afirmativa de se tratar de um problema de gestão...
Vez por outra, me deparo nos noticiários, com comentários de alguns, dizendo que o desastre da atual gestão é culpa da administração passada. Francamente, imagino que esse tipo de comportamento só pode advir de mentes completamente comprometidas com paixões políticas radicais, pois a aprovação positiva da gestão passada foi dada pela população, por testemunhar que anteriormente, o Município era considerado referência em organização. Para mostrarmos um simples exemplo, observa-se que a maioria dos Agentes de Saúde do Município, ainda hoje, usa os uniformes com os detalhes em cores azul e laranja fornecidos há seis, sete ou mais anos.
Não se tira o direito de ninguém de gostar ou não, dessa ou daquela pessoa. Entretanto, sou de pleno acordo a se ”dar a César, o que é de César” e isso me confere o direito também, de poder me expressar sobre minhas ideias, meus pensamentos e minhas concepções, sobre fatos, pessoas e demais. Por certo que dificilmente, alguém conseguirá unanimidade para suas convicções, Entretanto, julgo importante que a pessoa tenha disposição, para delas dar conhecimento. O bom Artista vive do aplauso, o bom Político vive do reconhecimento, e nada mais justo do que se aplaudir ou reconhecer a quem considerarmos ter feito um bom trabalho. Certo também, que é muito mais fácil criticar do que elogiar. Ao criticar, dificilmente corremos o risco de nos expormos a retaliações, o que absolutamente não me afetaria.
A População Campo-Grandense optou por mudar, mas hoje certamente que se arrepende da mudança que aconteceu, e quem sabe, pode até ter chegado à conclusão de que “não se deve trocar o certo pelo duvidoso”.
(*) Alicio Mendes é médico veterinário e ambientalista