Comprovadamente Campo Grande mostrou que não tem mesmo a grande festa popular brasileira. Sem verba suficiente dos governos municipal e estadual, o que pode notar foi que a cidade teve um Carnaval pífio, sem grandes novidades. Alguns bares até anunciaram festas carnavalescas, no entanto cobravam entrada variando de R$ 20 a 30 cada pessoa. Ou seja, a maioria estava sem folião. Essa tentativa de ganhar um pouco mais dinheiro foi por “água abaixo”. Se ao menos cobrassem um cover mínimo, até poderia ter um público maior. No entanto, pagar para ver grupos que normalmente tocam no local gratuitamente, é realmente querer ter prejuízo.

Mas a grande decepção foi justamente o local onde se faz a festa há 11 anos do tradicional “Cordão Valu”. Notou-se que apesar dos esforços dos organizadores, a ideia inicial perdeu toda sua identidade. Anteriormente amigos e famílias com suas crianças se dirigiam ao local justamente para “curtir” um carnaval ao som de marchinhas e muita fantasia. Agora tudo mudou e o “Cordão” virou na realidade “o baile popular” que os governos patrocinavam anteriormente. Triste tudo. Não podemos culpar totalmente os organizadores, já que com a omissão governamental, a população teve que se dirigir para o local e em certos espaços, a bagunça ficou generalizada (brigas, drogas e roubos), apesar da boa segurança policial.

Ontem, no último dia da folia, a mistura de ritmos foi clara de um baile popular. O local que sempre os organizadores preservaram a festa como antigamente, com suas “marchinhas populares”, foi invadido com maracatus, axés, sons afros de terreiro,  pagode, entre outros  (só faltou sertanejo para a “coisa” se completar). Triste essa perda de identidade. Muitos que frequentavam os dois dias no Cordão Valu, deixaram de acompanhar o “desfile” pelas travessas da pequena Vila dos Ferroviários, onde os moradores participavam e jogavam água através das mangueiras. Agora não existe mais essa interação. Eles reclamam do barulho e para tanto, os organizadores acertadamente, avisaram previamente que a festa iria se encerrar às 23 horas. Mas a festa no Cordão Valu por um instante relembrou os velhos tempos, tocando marchinhas e quando da apresentação de Edir Valu, que cantou canções que foram eternizadas pela população nos grandes carnavais. Um belo momento, mas foi muito pouco, infelizmente.

Outros absurdos surgiram como ao ponto do Grupo Sampri, teve que parar de tocar devido o som estridente de um carro que estacionou próximo ao palco e colocou “funk” no mais alto volume, atrapalhando assim a participação das meninas que tocavam samba. A vocalista teve que conclamar o público e a polícia militar para que o “dito cujo” desligasse o som. Mas tudo isso em si, mostrou que a falta opção e dos bailes populares antes organizados pelo governo e prefeitura, acabou definitivamente com um local que reinava a alegria e a paz entre as famílias. Esperamos que no próximo ano os organizadores do “Cordão Valu” possam até rever os horários, começando e encerrando a festa bem mais cedo, das 12 às 20 horas. É isso!