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OPINIÃO: O Centro de Campo Grande ainda tem solução

03 julho 2024 - 10h39Fayez Feiz José Rizk    atualizado em 03/07/2024 às 14h14
Marcus Cirillo

Está evidente, até aos olhos leigos, que a região Centro de Campo Grande está decadente. Como toda questão urbanística, o diagnóstico e a solução - ainda possível – exige um olhar abrangente sobre vários aspectos que levaram a essa situação.

Infelizmente, as discussões sobre esse (hoje) problema, estão contaminadas por informações equivocadas, que se transformam em lendas urbanas, como é o caso das vagas de estacionamento no Centro.

É necessário um olhar para a história do desenvolvimento dessa região e lá encontramos o que entendo a causa principal, mas não única, que é o desmantelamento do sistema de transporte coletivo por ônibus.

Em 1978 o plano urbanístico desenvolvido por Jaime Lerner para a cidade, era baseado em premissas principais, a saber, da preservação do meio ambiente, e de uma lei de ocupação e uso do solo urbano umbilicalmente ligada ao sistema de mobilidade urbana.

Mobilidade urbana, ao contrário do entendimento de muitos, inclusive algumas autoridades, não é só trânsito, mas um sistema que compreende desde o deslocamento a pé (vide calçadas!) até os subsistemas de transportes, individual (carros, bicicletas) ou coletivo (ônibus, BRT, VLT...), em consonância com instrumentos de desenvolvimento urbano, como planos diretores, lei de ocupação e uso do solo e tendo em vista aspectos econômicos, sociais e culturais.

Campo Grande começou a ter um ritmo de crescimento, tanto em área como em população, a partir de 1.975, com a grande geada que atingiu notadamente o sul do país.

A concepção de Lerner aproveitava o crescimento digamos, espontâneo, da cidade rumo aos eixos de ligação rodoviária, como as saídas para São Paulo e Cuiabá. O sistema de transporte coletivo por ônibus era baseado na construção dos terminais de transbordo nas extremidades (à época) desses eixos, alimentados por redes de ciclovias ou linhas alimentadoras e circulares, e que se ligavam através de corredores de circulação preferenciais ou exclusivos, com as linhas expressas ligando-os a um terminal central localizado no (antigo) terminal rodoviário.

A premissa de circulação de pessoas pelo Centro era do deslocamento à pé, através de calçadas confortáveis, arborizadas e bem iluminadas. Eis aí a origem do calçadão da Rua Barão do Rio Branco, movimentadíssimo à época.

Mas eis que surge o golpe fatal para o Centro: a retirada do terminal central do Sistema Integrado de Transportes (SIT), implantado na década de 90.

Sem esse terminal central, o SIT foi totalmente desestruturado, provocando o aumento indiscriminado e sem planejamento de linhas de ônibus e, por consequência, o aumento - incontrolável - da tarifa. Resultado: os usuários deixaram de acessar o Centro e o mercado econômico viu a oportunidade de se instalar nos bairros,  criando “centros” locais, como na Ruas da Divisão, Sotto Maior,  Jerônimo de Albuquerque, Bom Pastor e outras.

Por ocasião da reforma da Rua 14 de julho, segundo dados, circulava no Centro cerca de 250 mil pessoas por dia. A constatação óbvia, para quem sabe matemática é que essa massa não foi transportada em veículos individuais, mas através de ônibus!

Portanto, é uma lenda urbana, produzida e reproduzida por pessoas que não tem conhecimento técnico – e dados – de que a causa da decadência do Centro é a falta de vagas de estacionamento: não é possível transportar todo esse número de pessoas através, exclusivamente, de veículos particulares. A conta não fecha.

Mas isso, e outras causas subjacentes dessa decadência, como as calçadas e arborização ficam para um próximo artigo.

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