Presidência
Tereza Cristina diz que pedirá votos até a Alcolumbre para disputar presidência do Senado
Senadora de Mato Grosso do Sul mantém candidatura à sucessão da Casa e busca apoio entre os 81 parlamentares; oposição ainda não conseguiu unificar um nome contra a reeleição do atual presidente
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que pretende buscar votos entre todos os integrantes do Senado Federal para viabilizar sua candidatura à presidência da Casa. Em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (4), a parlamentar disse que está disposta a conversar, inclusive com o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que deve disputar a reeleição.
"Eu acho que agora é hora de conversar com todo mundo e saber realmente aqueles que não querem falar, os que querem falar e contabilizar esses votos. Agora é hora de conversar com todos, com os 81 senadores. Vou até pedir voto para o senador Davi Alcolumbre porque eu já disse a ele que ele precisava ter uma mulher como sucessora", declarou.
A movimentação ocorre em meio à dificuldade da oposição para construir uma candidatura única contra a recondução de Alcolumbre. Até o momento, dois nomes do mesmo campo político aparecem na disputa: Tereza Cristina e o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado.
Os dois se reuniram na semana passada para tentar chegar a um acordo sobre quem permaneceria na disputa, mas não houve consenso. Marinho anunciou que oficializaria sua candidatura nesta quarta-feira, enquanto Tereza pretende continuar articulando seu nome nos bastidores.
A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro. Para vencer, um candidato precisa conquistar pelo menos 41 votos, considerando os 81 integrantes da Casa.
Tereza tenta se apresentar como terceira via
Aliados da senadora avaliam que ela pode ocupar um espaço de terceira via entre Alcolumbre e Marinho. Embora também integre a oposição, Tereza é vista por parte dos parlamentares como um nome com maior capacidade de diálogo com diferentes grupos políticos, incluindo integrantes da base governista e partidos do Centrão.
A estratégia é ampliar sua articulação para atrair senadores que não desejam a recondução de Alcolumbre, mas também demonstram resistência ao nome de Rogério Marinho.
Outro ponto que diferencia as duas candidaturas é a agenda defendida para o Senado. Tereza é favorável à discussão de eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não considera que esse deva ser o principal assunto da Casa no próximo ano.
A senadora também defende que o Congresso avance em uma agenda ampla de reformas econômicas. A posição busca se diferenciar tanto da condução de Alcolumbre, criticada por aliados de Tereza pelo bloqueio de pautas relacionadas ao impeachment de ministros, quanto da prioridade dada por Marinho ao tema.
Segundo cálculos de aliados da parlamentar, nem Alcolumbre nem Marinho teriam, neste momento, os 41 votos necessários para vencer a eleição. As articulações também indicariam que alguns senadores aparecem nas projeções de apoio de mais de um candidato.
Tereza pretende manter sua candidatura até o fim das negociações, fortalecer sua posição e, posteriormente, tentar convencer Marinho a retirar o próprio nome e apoiá-la na disputa pelo comando do Senado.