O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende reconhecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil, apesar de ter ajudado o candidato derrotado à Presidência a entrar no país. A informação foi divulgada pela Reuters nesta quinta-feira (29), com base em fontes próximas ao governo norte-americano.

Trump chegou a afirmar que a eleição brasileira de domingo (25) parecia “manipulada”, mas destacou que não apoiou nenhum candidato. O republicano também disse manter uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com uma vantagem de cerca de 3,5 pontos percentuais.

Segundo duas fontes ouvidas sob anonimato, Trump não tem planos de apoiar as pretensões políticas de Flávio, embora possa mudar de posição. A decisão indica uma tentativa de evitar novas tensões diplomáticas com o Brasil.

Saída do Brasil

Flávio deixou o país após a derrota nas urnas e passou a viver nos Estados Unidos. Conforme uma autoridade norte-americana, a saída enfraqueceu sua força política e provocou críticas de conservadores que esperavam vê-lo liderar a oposição a Lula.

Autoridades brasileiras também avaliam que a ausência do senador favorece o presidente reeleito, já que enfraquece a oposição no Congresso.

A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega do passaporte de Flávio, a pedido da Polícia Federal. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O pedido foi feito minutos após a confirmação da vitória de Lula, o que levou aliados de Flávio a questionarem uma possível motivação política.

A Casa Branca, o governo brasileiro e a defesa do senador não apresentaram comentários sobre o caso.