Durante o julgamento que pode tornar o pastor evangélico Silas Malafaia réu sob acusação de injúria, calúnia e difamação, devido a ofensas proferidas contra generais em uma manifestação, o ministro Cristiano Zanin, da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu vista mais tempo para analisar o caso.
O relator, ministro Alexandre de Moraes foi o único votar, ainda faltam se manifestar, além do próprio Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. O julgamento se encerraria na sexta-feira (13).
A PGR (Procuradoria-Geral da República) ofereceu denúncia em dezembro e teve como base declarações feitas pelo líder religioso durante uma manifestação pública de bolsonaristas realizada na avenida Paulista, em São Paulo.
Na ocasião, do alto do carro de som, Malafaia reclamava da prisão preventiva do general Walter Braga Netto, que acabou condenado pela trama golpista. "Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes."
O pastor disse também que os oficiais eram omissos. "Não honram a farda que vestem", declarou. O pastor publicou o vídeo no Instagram, com a legenda: "Minha fala contra os generais covardes do alto comando, não contra o glorioso Exército Brasileiro."
O ato havia sido convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para pressionar por anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Após as declarações de Malafaia, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, acionou a PGR.
Em seu voto, Moraes afirma que a denúncia narra "de forma clara e expressa o evento criminoso" e que as atitudes de Malafaia se assemelham ao modus operandi da organização criminosa investigada no inquérito das milícias digitais.
Moraes disse que, em caso de condenação, pode haver um agravante na pena devido ao comentário ter sido feito contra funcionário público e em razão das suas funções, na presença de várias pessoas e com replicação nas redes sociais. O post atingiu 300 mil visualizações.
À Folha de S. Paulo, na semana passada, Malafaia afirmou ser vítima de perseguição por parte de Moraes. "Que moral esse cara tem para julgar alguém? Nenhuma, ele tem que ser afastado imediatamente e tomar um impeachment", disse o pastor.
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Pastor Silas Malafaia (Correio Braziliense)



