O debate sobre o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1, em discussão no Congresso Nacional, tem colocado os setores de comércio e serviços no centro das atenções em Mato Grosso do Sul. Atividades com funcionamento contínuo ou horários estendidos, comuns no Estado, avaliam possíveis impactos da mudança sobre emprego, custos e organização das escalas.
Com cerca de 700 mil vínculos formais ativos, a base do emprego sul-mato-grossense está concentrada justamente em setores mais sensíveis a alterações na carga horária semanal, como comércio, serviços, indústria, agropecuária e construção. Supermercados, farmácias, centrais de atendimento e prestadores de serviços urbanos operam com jornadas ampliadas e podem ser diretamente afetados por mudanças na legislação trabalhista.
“Quando a discussão ignora a realidade do mercado de trabalho, o risco é transformar uma promessa em perda de vagas e precarização”, afirma a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago.
Estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que o fim da jornada 6×1, nos moldes atualmente debatidos, pode resultar na eliminação de até 638 mil empregos formais no país, além de uma queda de 0,7% na produtividade por trabalhador. O levantamento indica impacto mais significativo sobre construção, comércio e agropecuária, especialmente em função do aumento do custo da hora trabalhada caso não haja ajuste proporcional dos salários.
Entidades do setor defendem que a discussão considere alternativas intermediárias, como a flexibilização da jornada. Uma das propostas em tramitação no Congresso é a PEC 40/2025, que prevê a possibilidade de escolha entre o regime tradicional da CLT, de até 44 horas semanais, e um modelo flexível por horas, sem redução de direitos trabalhistas.
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