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Juventude brasileira é o grupo mais qualificado ?do país e o mais excluído pelo mercado de trabalho

05 setembro 2013 - 12h27Via Carta na Escola
“Meu pai sempre falava: eu estudei até a sexta série, eu não quero isso pra vocês, então meu pai se esforçava muito pra dar educação pra gente.” O depoimento é de um jovem entrevistado pelo pesquisador José Humberto da Silva para sua tese de doutorado “Juventude trabalhadora: percursos laborais, trabalhos precários e futuros (in) certos”, apresentada à Faculdade de Educação da Unicamp. O estudo analisou a trajetória de trabalho dos jovens brasileiros, os investimentos pessoais e financeiros feitos por eles e familiares na perspectiva de garantir “um bom emprego” e a ascensão social.

Para isso, Silva acompanhou nove moradores da periferia de Salvador, com idades entre 23 e 26 anos, egressos de um programa federal de qualificação profissional, o Consórcio Social da Juventude. Esse foi o segundo encontro do pesquisador com os jovens. Todos eles já haviam sido entrevistados por Silva na ocasião de seu mestrado, quando investigava em que medida os cursos de qualificação contribuíam para a inserção no mercado de trabalho.

A partir da observação das trajetórias profissionais desses jovens, o pesquisador levantou diversos questionamentos, entre eles o consenso de que a escolarização, por si só, é capaz de garantir um bom emprego. “A busca desses jovens pelo status de bem empregado passa quase sempre pela estratégia da formação. Desde cedo, ele escutam de seus pais que a qualificação é o único jeito de ‘ser alguém na vida’”, conta.

A pesquisa revelou, entretanto, que apesar dos investimentos realizados pelos jovens, a grande maioria permaneceu distante do emprego sonhado, relegada a espaços ou posições precários de inserção como estágios, programas de Jovem Aprendiz, telemarketing e cooperativas. “A inserção acontecia, mas eles não se mantinham nos empregos, a rotatividade era alta e o crescimento, baixo.”

Para o autor, uma das razões para isso está no equívoco de encarar a questão do desemprego como um problema de escolaridade. “No mundo inteiro, os jovens constituem o segmento mais escolarizado e mais desempregado entre os grupos etários. No Brasil, embora tenha ocorrido um significativo crescimento econômico entre 2004 e 2008, que acarretou na geração de novos empregos, os jovens continuam sendo o grupo mais afetado pela falta de oportunidades”, aponta.

Além disso, o mercado de trabalho brasileiro não atinge de forma homogênea a juventude. Território geográfico, classe social, sexo e raça intensificam as desigualdades, sobretudo quando os recortes se sobrepõem. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego, citada na tese, a região metropolitana de Salvador desponta como uma das que tem a maior taxa de desemprego juvenil.

“Não quero, com a pesquisa, inferir que a educação não seja um diferencial para inserção profissional. É muito importante sim. Porém, mais do que um problema de qualificação, o desemprego é um problema político e econômico.” Silva acredita que o pensamento que estabelece uma relação direta entre escolarização e ascensão profissional coloca sobre o jovem toda a responsabilidade do desemprego. “Nos últimos anos o número de jovens cursando o Ensino Superior cresceu significativamente, mas outras formas de exclusão apareceram. Se antes o jovem era rejeitado porque não tinha Ensino Superior, hoje é porque o cursa em uma faculdade considerada ‘menor’, menos qualificada”, aponta.
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